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  • Estreito de Messina é a área com mais lixo marinho no mundo
    28 janeiro 2021
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  • Em algumas zonas do estreito há mais de um milhão de objetos por quilómetro quadrado.
  • Um estudo divulgado na revista científica 'Environmental Research Letters' indica que o Estreito de Messina, uma ponte submarina que separa a ilha da Sicília da península italiana, é a área com maior densidade de lixo marinho a nível mundial.

    Miquel Canals, da Faculdade de Ciências da Terra, da Universidade de Barcelona, e Georg Hanke, do Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia, lideraram o estudo, que faz uma síntese dos conhecimentos atuais sobre materiais de origem humana deitados no fundo do mar e que foi também assinado por peritos da Universidade dos Açores, entre outras instituições.

    O trabalho realizado refere que em algumas zonas do estreito há mais de um milhão de objetos por quilómetro quadrado. Os autores da investigação dizem também que nos próximos 30 anos o volume de lixo no mar poderá ultrapassar os três mil milhões de toneladas métricas.

    No documento, os especialistas alertam que o fundo do oceano está a acumular cada vez mais lixo e que os piores locais do fundo do mar, provavelmente mar profundo, ainda estão por encontrar (já foram encontrados plásticos no ponto mais fundo, a Fossa das Marianas, a 10.900 metros), e salientam que nalguns casos as concentrações de lixo atingem dimensões comparáveis a grandes aterros.

    Apesar dos esforços da comunidade científica, “a extensão do lixo marinho nos nossos mares e oceanos ainda não é completamente conhecida. As regiões marinhas mais afetadas pelo problema ficam em mares interiores e semi-fechados, fundos costeiros, zonas marinhas sobre a influência da foz de grandes rios, e lugares com muita atividade pesqueira, mesmo longe da costa”, disse Miquel Canals.

    O responsável adiantou que o tipo de tratamento dos resíduos em países com ligação ao mar é muito importante, porque quanto menos eficiente for mais resíduos chegam ao fundo dos oceanos, sendo que o problema afeta especialmente os países mais pobres.

    Os especialistas dizem que os materiais mais abundantes no fundo do mar são o plástico, artes de pesca, metal, vidro, cerâmica, têxteis e papel, e explicam que as dinâmicas oceânicas, como as correntes, determinam a distribuição do lixo, desde as costas às planícies profundas.

    Por norma, acrescentam, os resíduos mais leves são transportados para regiões marinhas onde fluem correntes fortes, acabando por se depositar em zonas tranquilas. As propriedades dos materiais também afetam a sua dispersão, com os investigadores a estimarem que 62% do lixo no fundo do mar é de plástico, relativamente leve e fácil de transportar para grandes distâncias, e a dizerem que objetos mais pesados ficam normalmente no ponto onde caem.

    No estudo lembra-se também que cerca de 700 espécies marinhas, 17% das quais na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza, foram afetadas pelo lixo, especialmente pelas redes de pesca, de decomposição lenta.

    Miquel Canal afirma no documento que no Mar Mediterrâneo o lixo marinho já é um grave problema ecológico, com grandes acumulações em locais da costa da Catalunha.

     

     

     

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