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  • Cientistas querem estudar profundezas dos oceanos durante uma década
    30 novembro 2020
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  • Equipa de cientistas diz que grande parte do mar profundo 'permanece completamente inexplorada'.
  • Cientistas de 45 instituições de 17 países estão a propor um programa de investigação de uma década, dedicado ao estudo das zonas mais profundas dos oceanos, numa iniciativa coliderada por uma bióloga portuguesa.

    "O mar profundo, com vastas extensões de água e fundos marinhos, entre os 200 e os 11 000 metros abaixo da superfície do oceano, é reconhecido globalmente como uma importante fronteira da ciência e da descoberta", aponta a bióloga marinha Ana Hilário, coordenadora do programa Challenger150 a par com Kerry Howell, investigadora na Universidade de Plymouth (Reino Unido) e especialista em Ecologia do Mar Profundo.

    Ana Hilário, investigadora do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da Universidade de Aveiro (UA), observa que, "apesar de o mar profundo representar cerca de 60 por cento da superfície da Terra, uma grande parte permanece completamente inexplorada e a humanidade conhece muito pouco sobre os seus habitats e como estes contribuem para a saúde de todo o planeta".

    Para desvendar esses "segredos" Ana Hilário e Kerry Howell juntaram à sua volta uma equipa de cientistas de 45 instituições de 17 países que propõe uma década de trabalhos orientados para o estudo do mar profundo.

    De Portugal, para além da UA, contribuíram para o desenho do programa também cientistas do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) da Universidade do Porto, do centro de investigação e desenvolvimento Okeanos da Universidade dos Açores e do Centro de Investigação Marinha e Ambiental (CIMA) da Universidade do Algarve.

    Questionada pela agência noticiosa Lusa sobre se a investigação do mar profundo não pode abrir a porta à delapidação de mais recursos naturais, a investigadora admite que sim, mas sublinha que o objetivo é "conhecer mais para utilizar melhor".

    "Não podemos limitar o conhecimento com a premissa de que vamos destruir", acrescenta, sublinhando que a premissa tem de ser a de "utilizar melhor".

    Ana Hilário disse à Lusa que "há imensos indícios das potencialidades" do mar profundo e que é necessário "adquirir conhecimento suficiente para decidir se vale a pena explorar, fornecendo informação aos decisores políticos".

    De acordo com a cientista, além das potencialidades minerais, há enormes potencialidades em termos da biotecnologia azul, com a possibilidade de obter novas drogas e novos compostos químicos, "com milhentas aplicações".

    "Um dos possíveis tratamentos relacionados com o novo coronavírus vem de um novo composto que foi descoberto num organismo de profundidade", exemplifica.

    Ana Hilário acredita que "há potencialidades imensas de descoberta de novos compostos químicos com aplicações em todas as áreas, desde a farmacêutica, à cosmética e à ciência".

    "Uma das moléculas hoje mais utilizadas em todos os laboratórios que fazem trabalhos em genética vem de uma bactéria que foi descoberta no oceano profundo", comenta.

     

     

     

     

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