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  • Manuel Gameiro, do Ribatejo para o topo do surf nacional
    22 outubro 2020
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  • Fotografia
    Jorge Matreno/ANSurfistas
  • Fonte
    Redação
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  • Manuel ainda caminha vagamente para os 30, mas já conquistou um título nacional como técnico de Teresa Bonvalot.
  • Foi no coração do Ribatejo, em Santarém, que cresceu. Longe da costa e das ondas, que hoje fazem parte intrínseca do seu dia-a-dia e da sua vida. Contudo, cedo decidiu “fintar” o destino, trocando a calmaria da lezíria pela agitação do mar. Sobretudo, nas férias, que por tradição passava na Praia do Amado, em Aljezur. Foi no sul do país que Manuel Freire Gameiro ganhou o gosto pelo surf. O gosto deste jovem desportista transformou-se em vício. E depois em paixão. Com a mesma velocidade com que uma onda quebra na areia ou com que se esfumam os últimos segundos de um heat, até ao célebre soar da buzina.

    Nos últimos anos Manuel Gameiro assumiu-se como uma das caras mais regulares nos campeonatos de surf. Quer seja na Liga MEO Surf, num Esperanças ou mesmo lá fora. Começou cedo, ocasionalmente. No Amado, claro está. “Faço surf desde os 11 ou 12 anos. Comecei no Amado. Não sendo de lá, considero que é a minha praia. É um lugar muito especial”, começa por recordar Manuel Gameiro. “Depois, aos 14 anos, no meio daquela confusão toda do verão, era preciso alguém para dar uma aula. E convidaram-me. Isto porque o meu irmão dava lá aulas e eu estava sempre com ele e com os amigos. Gostei logo bastante da experiência. Os clientes também gostaram e marcaram aulas para a semana toda. Foi aí que começou a ligação ao treino”, lembra.

    Continuou a dedicar-se ao surf, apesar dos quase de 100 quilómetros que separam Santarém da costa. Competições? Esporadicamente, mas apenas “na brincadeira”. Nada de sério. Revistas e vídeos, sim. Muitos. Eram os combustíveis que faziam carburar a paixão. “Sempre fui viciado em surf por culpa do meu irmão mais velho. Lá em casa tínhamos sempre a Surfer, a SURF Portugal, a Surf Europe… e os DVD’s que vinham com essas revistas. Sempre fomos muito obcecados por surf”, admite, antes de lamentar uma das cruzes dos nossos dias: “A falta que me fazem as revistas de surf…”.

    "Como tinha poucas oportunidades de fazer surf, sempre que ia tinha que dar valor"

    “Viver longe da praia acabou por aguçar a paixão pelo surf. Como tinha poucas oportunidades de fazer surf, sempre que ia tinha que dar valor”, admite. Mais tarde trocou o campo pela cidade. Licenciou-se e especializou-se, passando pela FMH. Iniciou-se com um grupo de formação na Surf Lisbon. E por lá continua. A formar os campeões do futuro e a apoiar os do presente. Como é o caso de Teresa Bonvalot, que parece ter recuperado a melhor forma sob os conselhos deste jovem técnico.

    “Aos 18 anos vim estudar para Lisboa. Tirei a licenciatura em Ciências do Desporto na Faculdade de Motricidade Humana e fiz a especialização em surf. Ainda comecei o mestrado em treino desportivo, mas não acabei porque comecei a ter mais atletas e treinos. Em 2014 comecei o meu projeto, a Surf Lisbon Formação, depois de ter sido recomendado pelo professor Miguel Moreira. Peguei num grupo de seis miúdos. Fui trabalhando, construindo o meu caminho e aprendendo muito com os atletas. Hoje em dia são mais de 150 alunos a treinar semanalmente”, explica-nos.

    Manuel ainda caminha vagamente para os 30, mas já chegou de forma séria ao topo do surf nacional, embora admita que ainda tem um “caminho longo para percorrer”. Além de Teresa, também trabalha como nomes como Guilherme Ribeiro, Carolina Santos, José Champalimaud ou o jovem campeão nacional de sub-12 Jaime Veselko, entre outros. O sucesso do trabalho desenvolvido não demorou a chegar. Sobretudo no caso da campeã nacional, que começou a treinar já no pós-quarentena. “A Teresa teve um ano excelente em 2020, mas acredito que o mérito do meu trabalho é de cerca de 1 por cento”, ressalva.

    “A Teresa é uma atleta de alta competição há muito tempo e o que consegue é 99 por cento fruto do trabalho dela ao longo dos anos. Criámos uma ligação engraçada e acho que consigo transmitir-lhe algum conforto. É fácil trabalhar com a Teresa, porque ela é um talento. Mas os talentos também têm de trabalhar e ela trabalha muito mais do que parece. O meu trabalho passa por ajudá-la a medir essa obsessão pelo treino e guiá-la da melhor forma até ao objetivo de chegar ao WWT. Acredito veemente que a Teresa vai chegar ao WWT. Agora que estou dentro do processo, sei o quão focada é e o quanto ela quer isso. Cada vez tenho mais certezas que isso vai acontecer”, sublinha.

    Mais do que treinar, Manuel Gameiro é um verdadeiro orientador dos seus pupilos e desempenha na perfeição todos os papéis que cabem a um treinador. Não basta dar a tática. A câmara está sempre consigo no ON, pronta para seguir e registar o desempenho dos atletas na água. Além do conforto e confiança que, por vezes, são necessários dar aos atletas. Quer seja na vitória ou na derrota. “Treinar faz-se durante a semana, a parte técnica e tática. No dia do campeonato temos de observar o mar, mas, acima de tudo, temos de interpretar os atletas e adaptar o discurso ao que vemos. É o mais importante no dia da competição. Temos de ir buscar todo o trabalho que se faz, o conhecimento que se ganha do dia a dia e transpor isso para o dia do campeonato”, explica.

    "Costumo dizer que a palavra ‘quero’ não se diz. Demonstra-se. Não há fórmula para o sucesso que não seja trabalhar"

    “Costumo dizer que a palavra ‘quero’ não se diz. Demonstra-se. Não há fórmula para o sucesso que não seja trabalhar. O talento corresponde ao número de horas de prática e quanto mais cedo se começar melhor. Se um atleta treinar desde cedo a probabilidade de ser talentoso é maior. O trabalho é o fator mais importante para chegar ao sucesso. O Italo Ferreira e o Gabriel Medina são exemplo disso porque são obcecados pelo trabalho. Estamos a falar de atletas, não de surfistas. Ser atleta custa e tem muitos sacrifícios. Penso que não devemos cortar as pernas aos sonhos de ninguém. Temos simplesmente de guiar os atletas e mostrar que o caminho é trabalhar”, assegura Manuel.

    O trabalho junta-se ao sonho para, juntos, comandarem a vida do jovem técnico. Além de acreditar cegamente que Teresa Bonvalot vai chegar ao circuito mundial feminino, também revela que a médio prazo gostava de estar com um dos vários pequenos talentos que orienta a correr o WCT. “É para isso que trabalho todos os dias. Não sei se vai ser possível, mas vou dar o meu melhor e espero que eles também o façam. Não posso esconder que esse é o meu grande objetivo. Esta não é uma carreira fácil. É preciso um grande suporte familiar, que felizmente tenho sorte de ter. É preciso abdicar de muitas coisas. Mas estou disposto a isso”, remata Manuel.

     

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