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  • Tetracampeão mundial critica mudanças no WCT
    05 maio 2020
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  • O facto de o WCT passar a ser decidido numa etapa final em “surf off” não faz sentido para Richards.
  • É um dos nomes mais históricos do surf mundial e o que conta com mais títulos mundiais conquistados, logo após Kelly Slater. O australiano Mark Richards conta com quatro títulos no currículo, conquistados consecutivamente, e com uma reputação única na esfera do surf mundial. E utilizou-a para vir a público criticar a mudança anunciada pela WSL na forma como o título mundial vai passar a ser atribuído a partir de 2021.

    “Bem, conhecem aquele ditado de que mentes preguiçosas causam problemas? Penso que é isso que se está a passar atualmente na WSL”, começou por dizer MR numa recente entrevista concedida à revista australiana “Tracks”. “Compreendo o entusiasmo em relação ao ano passado ter tudo terminado com uma finalíssima, mas consigo encontrar 10 razões para todo esse entusiasmo e nenhuma é o facto de ter sido o número um contra o número dois”, frisou.

    O facto de o WCT passar a ser decidido numa etapa final em “surf off” não faz sentido para Richards, que não poupou nas críticas aos atuais membros da WSL. Para o lendário surfista australiano os responsáveis da organização que gere o surf profissional a nível mundial estão a seguir exemplos de desportos coletivos, esquecendo-se que o surf é um desporto individual.

    “Vejo que eles dão como exemplo o Superbowl da NFL ou a NBA, que terminam com uma final. Contudo, talvez eles não saibam que cada eliminatória dos playoffs pode ter até sete jogos. Posso estar errado, mas creio que o que eles querem é ter um dia de grandes emoções. Não consigo imaginar na fórmula 1 tudo a ser decidido apenas num GP, com o que aconteceu no resto do ano a não contar para nada”, explicou.

    Richards defende que a performance ao longo do ano é que deve continuar a definir os campeões mundiais. “Tens um x de eventos por ano, nas mais variadas condições, desde reef breaks a beach breaks, direitas e esquerdas, e o surfista que tem as melhores performances em todas estas condições é que deve ser o campeão. Se formos ignorar tudo o que se fez numa época para decidir o campeão numa só etapa, então para quê fazer um circuito? Mais vale fazerem só esse dia e o vencedor leva o dinheiro todo”, ironizou o tetracampeão mundial.

    “A minha grande preocupação é o facto de um surfista que teve um grande ano, que ganhou três ou quatro eventos, chega ao evento final como número um e tem de jogar tudo num dia. Segundo o que dizem, pode haver até oito surfistas no dia final, então o número um pode perder o título para o número 8… Penso que para o vencedor não é um triunfo limpo. Isto não é uma boa ideia. Se alguém chega à última etapa com uma vantagem no ranking é porque surfou melhor e teve uma estratégia melhor. Naquele dia as coisas podem correr mal e o número 8 vence… Seria um sentimento estranho. O surfista que chega a esse dia final como número 8 não merece ser campeão mundial. Espero que nunca o seja e que o campeão seja o que chega na liderança”, defendeu MR.

    O vencedor do WCT entre 1979 e 1982 lançou ainda outra questão sobre esta decisão: “Compreendo que seja uma decisão a pensar nos fãs, mas o Tour é feito para os fãs ou é feito para ser justo na forma como é decidido? Penso que o atual sistema está equilibrado em termos de justiça. E há outro ponto… Se vai ser tudo decidido num só dia, onde vai ser essa decisão?”, atirou.

    “Li no comunicado deles que a decisão foi tomado em concordância com os surfistas. Seria interessante questionar mesmo os surfistas sobre o que acham disto…”, sublinhou Richards, atirando mais uma questão: “Quem vai querer patrocinar um Tour? Se tu sabes que tudo se decide num dia final, vais querer patrocinar esse dia final. Penso que o surf, infelizmente, anda a ‘pregar aos peixes’”, afirmou.

    Por fim, o lendário surfista disse acreditar que o surf nunca vai ser um desporto de massas porque o público generalista não compreende o desporto em si. “É difícil explicar às pessoas a dificuldade que existe em surfar uma onda, sendo que para eles parece sempre mais do mesmo. Nos media australianos é frustrante ver que o tenista que passa uma ronda em Wimbledon ou no US Open vem logo na capa, mas quando a Stephanie Gilmore ou a Sally Fitzgibbons ganham uma etapa, por exemplo, vem uma notícia pequena. Infelizmente, esta é a realidade sobre aquilo que um editor de desporto pensa sobre o surf”, rematou.

     

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