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  • Fez vento, mas os surfistas da Figueira da Foz 'mataram o bichinho' numa manhã especial
    04 maio 2020
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  • Bem cedo pela manhã, os surfistas regressaram ao mar após um longo período afastados das ondas.
  • O vento forte e as poucas ondas não impediram esta manhã, dia 4 de maio, o regresso de alguns surfistas ao mar da Figueira da Foz, mas também de pescadores lúdicos, que estavam afastados da atividade devido às restrições impostas pela pandemia de Covid-19.

    E se as previsões, hoje, no primeiro dia em que voltou a ser autorizada a prática de desporto individual ao ar livre, faziam antever a possibilidade de boas condições para o surf, o vento forte acabou por trocar as voltas aos praticantes da modalidade, que, apesar das poucas ondas e depois de mais de um mês afastados do mar, voltaram à água.

    Passavam poucos minutos das 08h00 e em Buarcos, junto ao Cabo Mondego, já Marcos e Marcelo Charana, pai e filho, enfrentavam as ondas da Mina, às portas da antiga fábrica de cal, hoje desativada.

    “Foram 50 dias sem tocar na 'chicha'. Na quarta-feira da semana passada, fui à Murtinheira [praia mais a norte, na freguesia de Quiaios] lavar a cara e deu-me vontade de chorar [por não poder surfar]. Hoje, foi mesmo para matar o vício”, disse à agência noticiosa Lusa Marcos Charana.

    Natural de Buarcos e surfista há mais de 30 anos, Marcos Charana acabou por estar na água durante hora e meia, cumprindo o conselho das associações do setor, que pediram que neste regresso ao mar os surfistas observassem, cada um, um máximo de 90 minutos de surf, mesmo se o vento, de sudoeste, “estragou um bocadinho as ondas”, mas não a vontade de as apanhar.

    “Mas para quarta-feira [as previsões] já dão boas ondas”, assinalou. O filho, Marcelo, com uma prancha de ‘bodyboard’, acompanhou o pai neste regresso ao mar: “Viemos os dois limpar a cabeça, dois meses fechados em casa já andava tudo a dar em doido”, alegou. “Hoje tinha de ser”, enfatizou Marcelo Charana.

    Já Miguel Guedes, por seu turno, deixou de se sentir “prisioneiro”, depois de um mês “enfiado em casa” e, embora sabendo que outros surfistas não respeitaram as regras de confinamento, só hoje regressou. “E agora voltar ao mar é a melhor coisa do mundo. O que interessava era molhar a cabeça e fazer umas ondas no meu pico”, assinalou.

    Por sua vez, Eurico Gonçalves, antigo campeão nacional de longboard e proprietário de uma escola de surf (iSurf Figueira da Foz), admitiu à agência Lusa que lhe custou estar “tanto tempo” fora do mar.

    “E custou porque via o mar todos os dias e por um sinal de respeito e toda a situação [no novo coronavírus] achei que devia dar o exemplo e ficar fora de água”.

    E mesmo as poucas condições de mar hoje registadas, não afastam dos surfistas da satisfação de regressar à atividade e até favoreceram o regresso ao mar cumprindo as regras, apontou.

    “Quem faz surf, sabe que nenhum dia é igual a outro. Perdem-se dias perfeitos, há dias imperfeitos, mas até na imperfeição se consegue encontrar satisfação. Realmente as condições não são as melhores, o vento veio estragar um bocado os planos dos surfistas, mas estas condições ajudaram a um desconfinamento responsável”, argumentou Eurico Gonçalves.

     

     

     

     

     

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    Redação
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