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  • FEPONS alerta para o aumento de óbitos por afogamento
    27 maio 2020
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  • A federação de nadadores-salvadores entende que o número 'não é normal' e deve-se ao 'problema gravíssimo' de as pessoas já poderem ir à praia 'sem haver assistência a banhistas'.
  • A Federação Portuguesa de Nadadores-Salvadores (FEPONS) informou ontem que Portugal regista desde o início do ano 46 mortes por afogamento, mais 18 do que no mesmo período do ano passado.

    Como tal, a FEPONS alerta para o "gravíssimo problema" de as praias continuarem sem vigilância. "Até ao momento temos 46 mortes por afogamento em Portugal, quando no mesmo período do ano passado tínhamos 28”, disse à agência noticiosa Lusa o presidente da federação, Alexandre Tadeia, que já estava a contabilizar as duas mortes que ocorreram ontem numa praia sem vigilância, em Portimão, no distrito de Faro.

    Segundo este responsável, o número “não é normal” e deve-se ao “problema gravíssimo” de as pessoas já poderem ir à praia “sem haver assistência a banhistas”, o que só irá acontecer a partir de 6 de Junho.

    “O suposto seria termos menos mortes do que no ano passado devido ao confinamento”, referiu. O alerta foi feito ontem depois de uma reunião com o Grupo de Trabalho da Comissão de Defesa Nacional, para se fazer um “ponto de situação” sobre a falta de nadadores-salvadores para a próxima época balnear.

    “Fomos fazer o ponto de situação estatístico e a apresentação de todas as propostas que temos vindo a falar nos últimos tempos”, indicou Alexandre Tadeia.

    Segundo o presidente da federação, estas propostas passam por incentivos fiscais e sociais para os nadadores-salvadores, como isenção de IRS, IVA, de taxas moderadoras ou de propinas, um regime especial de contratação ou uma alteração nos dispositivos de segurança, com redução do número de vigilantes.

    Em abril, Alexandre Tadeia já tinha advertido que faltavam cerca de 1500 a 2000 nadadores-salvadores para a próxima época balnear, porque os cursos foram interrompidos com a declaração do estado de emergência.

    “A época balnear começa no dia 6 e só a partir daí é que sabemos se há ou não escassez de nadadores-salvadores. Até lá, temos a sensação e a preocupação da disponibilidade dos profissionais para trabalhar este verão, atendendo ao estudo que fizemos. O que sabemos é que, se se mantiver o padrão das últimas épocas balneares, vamos ter escassez, porque só metade é que volta a trabalhar no ano seguinte e não conseguimos formar o número que era suposto”, declarou.

    Alguns cursos de nadador-salvador já reiniciaram na “vertente online”, mas Alexandre Tadeia criticou o facto de as piscinas continuarem encerradas, não sendo possível terminar a parte presencial.

    “Quando temos cafés e restaurantes abertos não se compreende como é que se mantêm as piscinas cobertas confinadas, quando nestas existem muito melhores condições de distanciamento e prevenção do Covid-19 do que em qualquer um desses locais. Se as piscinas abrissem conseguíamos reactivar os cursos e, pelo menos, aumentar a quantidade de nadadores-salvadores”, frisou.

     

     

     

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