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  • João Aranha: “Comparando com os outros países, o nosso exemplo está a ser brilhante”
    21 abril 2020
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  • Além do Sri Lanka, Aranha também esteve em África a lidar diretamente com o ébola e a cólera.
  • Esteve ligado aos Médicos Sem Fronteiras e aos Médicos pelo Mundo, participando em várias missões ao redor do Mundo em cenários de guerra e até epidemia. Uma experiência que lhe confere muita bagagem, mas que nem por isso lhe deixa de gerar preocupação em relação ao Covid-19. João Aranha, o homem que em 2013 assumiu a liderança da FPS, depois de ter estado na ANS e de ter regresso em definitivo a Portugal em 2004, concedeu uma entrevista ao site “Tribuna” do Expresso onde recorda esse seu passado de missões e aborda o futuro após o Covid-19.

    “Tive várias missões no terreno relacionadas com catástrofe, com guerra e epidemias, foi um bocado parte da minha vida”, começa por contar João Aranha. “Fiz parte de uma das primeiras missões a chegar ao Sri Lanka, após o tsunami. […] Era uma missão médica, basicamente. Tentámos reconstruir hospitais e criar um plano de emergência e evacuação no caso de haver outro tsunami. Havia problemas de salubridade, porque a água entrou terreno dentro, havia muito pó no ar e registaram-se muitas doenças respiratórias. Em termos de emergência médica, tinha muito a ver com o apoio psicológico. O rasto de destruição deixado pelo tsunami provocou muitos problemas de saúde em muita gente em termos respiratórios, de infeções e de doenças de pele”, relembra.

    Além do Sri Lanka, Aranha também esteve em África a lidar diretamente com o ébola e a cólera. “Estivemos ligados à do ébola, no Congo, mas foi antes. Epidemia mesmo propriamente dita, foi na Guiné, de cólera. Fomos a primeira ONG a chegar, juntamente com a AMI. Em 2005, quando houve um surto de cólera na Guiné-Bissau. Não teve nada a ver com esta, apesar de nem ser uma doença africana, até é europeia. Podes morrer com cólera em dois dias”, explica o líder federativo.

    “Os meus amigos mais próximos perguntaram-me por cuidados a ter, mas, quer dizer, não conheço esta doença. Andei eu tanto tempo em África, a pedir a toda gente que lavasse as mãos, por causa do surto de cólera, e agora em Portugal a história é a mesma. São cuidados básicos de higiene que são fundamentais neste período. E, claro, há o contágio, o que para o povo português, que é tão caloroso, é complicado. Tenho à vontade para falar sobre a cólera, mas embora algumas pessoas me tenham perguntado coisas, não sou especialista sobre a covid-19”, frisa.

    João Aranha compara as situações e garante que lidar com estas situações no terreno em nada se compara ao momento atual, mesmo perante todos os impactos que o novo coronavírus possa ter. “Lá, todos os dias atestava o depósito dos carros, que estavam estacionados sempre virados para a rua, porque a qualquer momento poderíamos precisar de sair dali a correr. Com esta pandemia, o efeito económico vai ser brutal. É assustador o que pode acontecer. Obviamente que isto é horrível e, se calhar, o que vou dizer é incorreto. Esta epidemia, reforço, é horrível, vai morrer muita gente, mas, se olharmos para trás e para todas as que houve, na realidade até é mais leve que as outras - a gripe espanhola, a gripe das aves, a peste negra na Idade Média”, reforça.

    “Posso ter uma frieza pelo que já vivi, mas claro que isto me preocupa. Posso estar mais habituado a ler comunicados e perceber o que se está a passar, mas, de resto, isto preocupa-me brutalmente. Ao início, fiquei preocupado com a forma como as pessoas iriam reagir. E continua a preocupar-me como irão as pessoas reagir a seguir. Mas, comparando com os outros países, acho que o nosso exemplo está a ser brilhante. As pessoas fecharam-se em casa sem ninguém mandar, quando o governo mandou já lá estávamos. Acho que isso foi um fator muito positivo”, aponta João Aranha.

    No entanto, o presidente da FPS garante tem preocupações no que ao surf diz respeito. “O que me preocupa mais agora são coisas mais ligadas a nós, ao surf. Quando é que isto vai abrir? Como o vão fazer? Nós não queremos abrir as praias, nós queremos é as ondas. Obviamente que terá de haver disciplina e a Austrália é um ótimo exemplo, porque têm feito umas campanhas para sensibilizar as pessoas. O Estado deveria, pelo menos, estar a mostrar que existem coisas pensadas, ou a serem pensadas. Claro que ainda é cedo, mas como é que as escolas de surf vão voltar à praia? Vamos criar um grupo de trabalho para tentar "ajudar" o Governo para percebermos como se vai abrir as praias”, questiona.

    “As escolas de surf vão ter de se readaptar durante os primeiros tempos, porque o mercado desapareceu. Os estrangeiros não estão cá e ainda vão demorar a vir. Toda a parte do turismo vai ficar desativada durante um tempo. O número de alunos por aula vai ter que baixar e, se calhar, um instrutor só poderá dar uma aula a duas pessoas. O Estado tem que estar pronto para ajudar. O surf de lazer envolve dezenas de milhares de pessoas, que estão confinadas em casa e vão ter de sair. Não há nada a fazer. Contra mim falo, mas, na vertente desportiva, sim, acho que ainda vai demorar. Não posso deixar que haja campeonatos sem condições de segurança. Ninguém sabe como é que isto vai ser”, remata.

     

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