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  • O MEO Beachcam esteve à conversa com o mais promissor big rider nacional, que nos contou um pouco da sua história no mundo do surf.
  • Entre os destemidos e muito experientes big riders que todos os anos passam pelo Canhão da Nazaré, há um jovem que desde tenra idade desafia esta ordem e paulatinamente vai conquistando o seu espaço na temida arena.

    Falamos de António Laureano, bem na verdade queremos dizer Tony, nome pelo qual é o conhecido no meio o mais promissor big rider nacional e que hoje está de parabéns, pois completa 18 anos de idade.

    Até ao dia de ontem, Tony não possuía a idade elegível para conduzir um automóvel, mas isso não impedia este prodígio de surfar ondas grandes como poucos ao mesmo tempo que, desde a última temporada, já fez resgates aos comandos de uma potente moto de água.

    Tudo sob o olhar atento do seu “principal pilar”, a família. De um lado a mãe, Susana, do outro o pai, Ramon Laureano, experiente waterman e responsável da Jet Resgate Portugal.

    Todos a remar para o mesmo lado, dão seguimento a uma aventura que já levou o jovem que reside na Ericeira a conquistar algumas distinções, entre elas o histórico prémio conquistado na última edição dos Prémios XXL EDP Mar Sem Fim. Aí Laureano tornou-se, até ao momento, no atleta mais jovem de sempre a vencer o Prémio Maior Onda Remada.

    Na altura em que chega a onda da idade adulta, o MEO Beachcam esteve à conversa com Tony Laureano, que nos contou um pouco da sua história no mundo do surf até aos dias de hoje.

    MEO Beachcam (BC) - Em primeiro lugar, como é que começou esta paixão pelo surf?

    Tony Laureano (TL) - Esta paixão pelo surf começou devido ao meu pai, que era surfista. Cresci na Praia Grande, em Sintra, no meio do mundo do surf. Por isso comecei no surf aos quatros anos e desde então que essa paixão tem vindo a crescer a cada dia que passa.

    BC - No início desta aventura como é que surgiu o surf de ondas grandes?

    TL - Quando era mais novo, dentro do meu grupo de amigos era aquele que não tinha assim tanto jeito para o surf mais convencional. No entanto, quando o mar estava maior era aquele que mais fazia a diferença. Em 2007 o meu pai começou a trabalhar com motos de água e logo aí começou a aparecer o bichinho de esta envolvente. Aos 11 anos tive a minha primeira sessão de ondas, que decorreu na Papôa (Peniche).

    Nesse dia era suposto ficar com a prancha do meu pai no canal à espera que ele terminasse o resgate para depois ir surfar. Só que quando ele se apercebeu, já eu estava no pico a tentar apanhar ondas, juntamente com os outros surfistas. Na altura o meu pai ficou assustado, mas como me viu tão confiante deixou as coisas fluírem.

    BC - Habitualmente os mais jovens têm preferência por jogar à bola, andar de bicicleta, entre outras atividades. O facto de fazeres surf de ondas grandes gerava muita curiosidade junto dos teus colegas na escola?

    TL - Nunca gostei muito de dizer que fazia surf de ondas grandes e tentava sempre que isso não fosse tema de conversa. De vez em quando lá havia um ou outro colega mais curioso, que puxava o assunto, mas nada por aí além. Na escola jogava à bola ou fazia skate com os meus amigos.

    BC - Com que idade surfaste a tua primeira onda no Canhão da Nazaré?

    TL - A primeira vez que surfei no Canhão da Nazaré tinha entre os 13 e 14 anos.

    BC - Quais foram os sentimentos durante o momento da primeira surfada na Nazaré?

    TL - A minha primeira onda no Canhão nem devia de ter acontecido. Fui com o meu pai na moto de água, pois este estava a fazer segurança para um surfista que estava na remada. Levei uma prancha de tow-in para brincar um pouco e de repente o meu pai perguntou se queria fazer uma onda. Nem hesitei e dentro de água estavam surfistas como o Garrett McNamara.

    Foi um sentimento que ainda hoje não consigo explicar. Naqueles 10 segundos, que pareceram uma eternidade, foi uma mistura de medo, adrenalina e felicidade. Só sabia que queria repetir outra vez.

    BC - Como é que os outros big riders, bem mais experientes do que tu, olham para ti? Existe alguma preocupação acrescida por seres tão novo?

    TL - Não sou o menos experiente, mas acabo por ser o mais novo. Logo, existe sempre um cuidado especial. Em dias de remada, sempre que tenho um wipeout são várias as pessoas que me tentam ir buscar, pois estão preocupadas. Depois há um outro lado, que é o facto de big riders como o Garrett McNamara e o Lucas Chumbo, que já conheço há muito tempo, estarem sempre a puxar por mim dentro de água. Isso é algo que é uma grande ajuda, nomeadamente naqueles dias que estou com um pouco mais de receio.

    BC - Habitualmente estás dentro de água com grandes nomes do surf de ondas grandes, pelo que terás as tuas referências. Quem são?

    TL - Na remada as minhas referências são o Lucas Chumbo e o Alex Botelho. Em termos de tow-in admiro novamente o Lucas Chumbo e o Kai Lenny.

    BC - Entre as duas variantes do surf de ondas grandes, o tow-in e a remada, em qual te sentes mais à vontade?

    TL - Prefiro fazer remada, pois o nível de adrenalina é bastante superior ao verificado no tow-in. No entanto, no tow-in acaba por existir maior diversão porque consigo apanhar mais ondas. Na remada o nível de adrenalina, como já disse, é muito maior, apesar de ser mais perigoso. Por exemplo na Nazaré, que é um beach break, estamos sentados no pico e nunca sabemos se a onda vai quebrar mais dentro ou fora.

    BC - Nesta tua caminhada, o quão importante tem sido o apoio da tua família?

    TL - A minha família é o meu pilar. São eles que me ajudam em tudo e se não tivesse este contributo, provavelmente não estaria a fazer aquilo que faço. O meu pai está neste mundo há bastante tempo e é um dos pilotos de motos de água mais experientes. A minha mãe, mesmo estando com o coração nas mãos em cada sessão, tem total confiança em mim e no meu pai. Não são todas as mães que deixam os filhos surfar ondas grandes. A minha família acompanha-me para todo o lado e são eles que me ajudam a superar os meus medos.

    BC - Nesta primeira fase da tua carreira, qual foi para ti o melhor momento?

    TL - Até agora o momento mais alto foi ter conquistado, no ano passado, o Prémio Maior Onda Remada nos Prémios XXL EDP Mar Sem Fim. Fui o mais jovem de sempre a conseguir esse feito. Ganhei quando estava a competir junto de nomes como o Nic von Rupp, Alex Botelho ou o João de Macedo.

    BC - E o momento mais baixo?

    TL - O momento mais baixo foi a lesão que tive em 2019. O mais irónico é que durante toda essa temporada de ondas grandes não me magoei. Depois numa onda de meio metro, na Foz do Lizandro, acabei por ficar lesionado. O período em que estive lesionado acabou por não ser fácil. Os quatro meses em que estive parado foram uma eternidade. Depois quando regressei à água, nem conseguia-me colocar em pé na prancha. Fiquei apreensivo porque a nova época estava prestes a começar. Felizmente, com muito trabalho da minha parte, tudo foi ao seu sítio.

    BC - Como é que consegues conciliar a escola com o surf?

    TL - Até o ano passado era bastante difícil, pois não existem dias definidos para entrar um swell e acabava por acumular muitas faltas. Porém, este ano estou numa modalidade de ensino novo, que é o ensino secundário recorrente à distância (ESRaD).

    BC - Das ondas que já tiveste a oportunidade de surfar, qual é a tua favorita?

    TL - A minha onda favorita é a Nazaré, seja em mar grande ou pequeno. Em mar grande é aquilo que todos conhecemos. Já em dias de mar pequeno, de metro e meio, proporciona uns tubos incríveis.

    BC - E fora do país em que locais gostarias de surfar?

    TL - Fora de Portugal tenho o sonho de surfar em algumas ondas carismáticas, como são o caso de Jaws, Mavericks ou Puerto Escondido. 

    BC - Atingiste os 18 anos, que objetivos tens para tua carreira daqui em diante?

    TL - O meu grande objetivo para o futuro é ser reconhecido a nível mundial por aquilo que faço, no caso o surf de ondas grandes. Ambiciono fazer parte da elite desta especialidade. Ao mesmo tempo também gostava de viajar pelo mundo em busca de ondas grandes.

     

     

     

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    DR/ António Laureano
  • Fonte
    Alexandre Melo
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