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  • AESDP não tem dúvidas: 'Este é o momento mais crítico do ensino do surf em Portugal'
    21 abril 2020
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  • A Associação de Escolas de Surf de Portugal aborda o impacto que a crise do novo coronavírus está a ter num importante setor da indústria do surf.
  • A atual pandemia do novo coronavírus e consequente decretar do estado de emergência no país veio paralisar grande parte dos setores de atividade. Um cenário que naturalmente também foi extensível à indústria do surf.

    Dentro deste universo foram vários os 'players' afetados por toda esta situação. Entre os quais aqueles que operam no setor do ensino do surf. Por força da situação vivida, estes foram forçados a encerrar a sua atividade, situação que naturalmente acarreta consigo elevados problemas.

    Perante tal cenário negro, a Associação de Escolas de Surf de Portugal (AESDP) enviou, na passada sexta-feira, uma carta aberta ao Governo.

    Segundo a AESDP, tal missiva "foi enviada com o intuito de sensibilizar para a necessidade de retorno faseado e responsável à atividade, indicando as fases que consideramos dar as necessárias garantias de segurança e de salvaguarda da saúde de todos. Além disso, comprometemo-nos também a elaborar e apresentar, até ao final do período do atual estado de emergência, uma proposta de um manual de contingência e de novas práticas a adoptar por todos os operadores". Pretende-se salvaguardar a sobrevivência dos operadores. 

    De modo a tentar perceber um pouco melhor a atual realidade, o MEO Beachcam esteve à conversa com a Direção da AESDP, composta por João Diogo Pinto dos Santos (presidente), Sérgio Wu Brandão (vice-presidente) e João Pedro Rosa Dias (secretário).

    MEO Beachcam (BC) - Estamos a viver o momento mais crítico do setor desde a fundação da AESDP?

    AESDP - Este é realmente o momento mais crítico, não só desde a fundação da Associação, mas desde que existe sector de ensino de surf em Portugal. É o maior desafio que estes agentes já enfrentaram, por várias razões: porque surgiu precisamente no momento em que os investimentos tinham sido feitos para preparar o início da época, que em condições normais teria arrancado com as férias da Páscoa; porque a esmagadora maioria dos operadores são microempresas que, continuando sem qualquer faturação durante mais alguns meses, não conseguirão sobreviver financeiramente a não ser que se endividem; e porque, de uma forma geral, há uma grande incerteza em relação ao futuro a todos os níveis, inclusive quanto à disposição que as pessoas terão para participar em atividades de contacto próximo como são as aulas de surf.

    Estes fatores, conciliados com o contexto de crise económica que se antecipa, levam-nos a crer que o sector será certamente diferente no pós-Covid do que era antes, mas isso é algo que se irá aplicar certamente a quase todos os domínios da sociedade e cabe-nos a nós trabalhar para que este sector saia reforçado, ainda melhor do que era.

    (BC) - Antes da pandemia rebentar, qual era o panorama do setor? Estava em crescimento ou dava sinais de contração?

    AESDP - O sector estava claramente em crescimento, com maior evidência na sua vertente turística. Cada vez mais pessoas, vindas de um maior número de países, visitavam Portugal para ter a experiência de se porem em pé numa prancha de surf. No entanto, este crescimento estava a ter uma expressão diferente nas diferentes partes do país.

    Por um lado, esta forma de turismo já não estava limitada aos destinos de maior referência como Peniche, Ericeira ou a Costa Vicentina e começava a atingir toda a costa. Por exemplo, no norte o turismo de surf era residual há meia dúzia de anos, mas estava-se a assistir a um rápido aumento do número de visitantes motivados pelo surf.

    Por outro lado, os grandes destinos enfrentavam sérios desafios de sobrecarga e excesso de pessoas nas ondas. E mesmo nestes casos, havia diferentes demonstrações do crescimento: nos locais onde não estão ainda definidos limites para a utilização e o licenciamento, novos operadores continuavam a surgir, enquanto que naqueles em que o número limite de licenças já foi atingido, os grupos foram-se tornando cada vez maiores. Tudo isto sem contar, claro, com os não licenciados, que operam de forma ilegal e prejudicam todo o sector e a experiência de todos os que usam as praias.

    "Temos recebido alguns pedidos de esclarecimento e de apoio por parte dos associados"

    (BC) - Durante este período em que as atividades estão interrompidas, caso os associados da AESDP procurem esta, que tipo de apoio é que poderão esperar?

    (AESDP) - Neste momento, como sempre, procuramos ser um canal de apoio e esclarecimento ao inteiro dispor das escolas e treinadores de surf. Especificamente nesta altura, temos relatado ao Governo e às demais entidades públicas a realidade desta atividade e as necessidades específicas dos operadores, para tentar encontrar soluções vantajosas.

    Por exemplo, a medida do lay-off simplificado apenas abrange o período desde o dia 22 de março, mas todas as praias foram interditas a 14 de março, pelo que apelámos a um regime de exceção de antecipação do lay-off para quem trabalha nas praias, além de termos também manifestado a nossa preocupação com o facto de ainda não haver soluções para os sócios-gerentes de empresas com trabalhadores, termos pedido o prolongamento das licenças das capitanias e municípios, entre outras que vão surgindo e nos vão sendo comunicadas pelos associados.

    Além deste apoio de esclarecimento, representação e defesa dos interesses do sector, temos a decorrer um programa de Consultoria e Formação para as empresas e trabalhadores financiado pelo programa Portugal 2020, que devido à situação atual foi remodelado e está a decorrer por via digital, em sessões de vídeoconferência, com consultores especialistas a apoiarem na resposta à crise e no planeamento das empresas para o pós-Covid 19. Este programa já estava a decorrer, mas neste momento será certamente ainda mais vantajoso e adequado para estas empresas.

    (BC) - Desde a explosão da pandemia têm recebido muitas solicitações por parte dos associados?

    AESDP - Sim, continuamos a funcionar a tempo inteiro e temos recebido alguns pedidos de esclarecimento e de apoio por parte dos associados, que tentamos apoiar sempre da melhor forma, neste momento maioritariamente na procura das soluções de financiamento e apoio mais adequadas a cada caso.

    Além disso, temos procurado manter a proximidade e criar uma dinâmica de grupo e união com todos: fizemos o Encontro online para todos os associados, criámos um grupo no Facebook para todos os interessados no ensino e treino de surf, temos reunido semanalmente com os associados da Costa de Caparica para trabalhar na criação do núcleo local da associação, entre outras ações que vão surgindo e que promovem a união e a comunicação entre todos.

    "E inevitável que venha a existir uma sintonia entre a Associação e a FPS"

    (BC) - Como tem sido a relação com a Federação Portuguesa de Surf? Têm trabalhado em conjunto para minimizar ao máximo os efeitos desta situação junto das escolas?

    AESDP - Como se sabe, a relação com a Federação ultimamente tem sido um bocado atribulada, houve algumas situações recentes com as quais discordávamos e isso levou a uma certa tensão, nomeadamente porque apesar de termos uma parceria estabelecida, continuamos a esbarrar no diretor-técnico nacional Miguel Moreira, que não demonstra sensibilidade para os problemas das escolas e que não reconhece o valor e papel da Associação.

    Contudo, não deixamos de ser parceiros e é visível que tanto a AESDP como a FPS estão neste momento a esforçar-se para que os efeitos para as escolas sejam minimizados, embora esses esforços não estejam de momento a ser conjuntos, o que seria benéfico para todos. Porém, acreditamos que esta situação se irá reverter em breve, a associação veio para ficar e irá continuar a representar uma voz ativa no desenvolvimento do surf em Portugal, pelo que é inevitável que estejamos em sintonia e com uma estratégia e plano de ação comuns, uma vez que os objetivos são também os mesmos.

    (BC) - Qual a importância que iniciativas como o recente Encontro Nacional de Escolas e Treinadores de Surf podem ter para ajudar a superar este período?

    AESDP - Essas iniciativas são essenciais para que se possa debater e partilhar informação sobre o atual momento, bem como para discutir outros temas que são essenciais. No caso do Encontro Nacional de Escolas e Treinadores, foi a solução que encontrámos como alternativa ao evento que planeávamos fazer na Costa de Caparica e felizmente foi um grande sucesso.

    A tecnologia já está toda ao nosso dispor há algum tempo, mas foi a necessidade que nos levou a utilizar estas ferramentas de uma forma massificada, como se tem assistido, através de eventos, webinars, conferências e reuniões de todos os temas a acontecerem diariamente. É entusiasmante e é uma grande solução para o atual momento em que estamos todos em casa, mas que vai certamente redefinir como nos reunimos e trabalhamos em conjunto no futuro. Por isso, estamos já a preparar um novo evento, desta vez aberto ao público, para apresentação e debate sobre os principais temas em torno do desenvolvimento do surf.

     

     

     

     

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    Alexandre Melo
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