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  • Tráfego marítimo contribui para 20% da poluição costeira em Portugal
    18 outubro 2019
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  • Resultado de um estudo. Coordenadora da investigação considera urgente combater este "cenário preocupante".
  • Um estudo da Universidade de Aveiro (UA) sobre a poluição atmosférica na costa portuguesa, divulgado ontem, atribui ao tráfego marítimo cerca de 20% da poluição causada pelos óxidos de nitrogénio (NOx), um dos poluentes mais nocivos à saúde humana e ao meio ambiente.

    “As emissões marítimas, que compreendem sobretudo os poluentes NOx e o dióxido de enxofre (SO2), têm impacto máximo junto às rotas internacionais, mas este impacto chega à zona costeira, com contribuições que vão de 10% a 20% no caso dos NOx e acima de 20% para o SO2”, aponta Alexandra Monteiro, investigadora do Departamento de Ambiente e Ordenamento e do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar, uma das unidades de investigação da UA.

    A coordenadora do estudo garante tratar-se de um “cenário preocupante” que é urgente combater: “É muito importante colocar no terreno as medidas propostas pela investigação, algumas promovidas pela própria regulação europeia, sobretudo face ao contínuo e esperado aumento do tráfego marítimo”.

    No âmbito desse projeto, os investigadores da UA, em colaboração com o Instituto Meteorológico Finlandês, estimaram as emissões atmosféricas associadas ao transporte marítimo em Portugal e avaliaram a contribuição destas emissões na qualidade do ar, recorrendo a um sistema de modelação numérica.

    Os resultados revelaram que estas emissões têm um impacto na qualidade do ar máximo junto às rotas marítimas, chegando até às zonas costeiras onde se verificam contribuições de 10% a 20% para as concentrações de NOx e inferior a 10% no caso das partículas, dois dos poluentes mais críticos em Portugal.

    Os investigadores estimam que atualmente cerca de 90% (75% na Europa, e com tendência a crescer) de toda a troca de mercadorias e bens em todo mundo é realizada por via marítima, o que torna este meio de transporte preocupante em termos de impacto ambiental, sobretudo devido à sua grande dependência no que diz respeito ao uso de combustíveis fósseis, com emissões atmosféricas associadas e potencial impacto na qualidade do ar.

    Coordenado por Alexandra Monteiro, o projeto AIRSHIP, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) , visou avaliar o impacto na qualidade do ar das emissões do transporte marítimo em Portugal e, com maior detalhe, ao nível local e portuário, tendo como caso de estudo o Porto de Leixões e a área urbana envolvente.

     

     

     

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