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  • Owen Wright quer que o capacete seja exemplo para todos os surfistas
    03 setembro 2019
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  • Antes de Owen, já Sally Fitzgibbons e Jeremy Flores tinham vencido provas de capacete na cabeça num passado recente.
  • Não foi a primeira vez que algo do género aconteceu num passado recente, mas o triunfo de Owen Wright no Tahiti Pro acabou por ter como imagem de marca o capacete com que o australiano competiu durante todo o evento. A grave lesão que Wright sofreu na cabeça em 2015 em Pipeline e o tamanho do swell que chegou a Teahupoo assim obrigaram.

    Antes de Owen, já Sally Fitzgibbons e Jeremy Flores tinham vencido provas de capacete na cabeça num passado recente, já para não falar de surfistas do passado, como Tom Carroll, que não dispensavam o uso do mesmo em ondas de consequência. Mas Owen deseja que este triunfo seja uma clara mensagem para todos os surfistas sobre a importância de usar capacete.

    O australiano até nem foi o único a entrar dessa forma neste campeonato, pois o wildcard local e vencedor dos trials, Kauli Vaast, também se destaca pelo capacete que usa sempre que surfa em Teahupoo. Esta acaba por ser uma proteção extra num local onde tantos e perigosos wipeouts acontecem. Sobretudo, porque esta famosa bancada de reef é praticamente raza.

    Depois de ter sofrido uma grave concussão na cabeça num local idêntico, como é Pipe, e de quase ter terminado a carreira de forma antecipada, Owen Wright não abdica agora do seu helmet, querendo ser um exemplo para todos. “Estou bem de saúde, por isso quero proteger-me para não voltar àqueles dias de recuperação”, afirmou o australiano, de 29 anos, à imprensa australiana.

    Após o terrível acidente no Havai, Owen esteve mesmo mais de um ano em recuperação, sendo obrigado a aprender tudo de novo. Na altura chegaram a ser mostradas imagens do talentoso surfista a aprender novamente a surfar. A lesão só o permitiu regressar à competição no início de 2017 – fê-lo logo com um triunfo na Gold Coast.

    “As ondas em Teahupoo estão cheias de energia e têm bastante consequência. Não temos qualquer tipo de controlo, pois não conseguimos sequer colocar os braços a proteger a cabeça quando caímos. É muito raso. O facto de ter capacete ajuda-me a acalmar e a ir para todas as ondas que quero, nos limites e de uma forma protegida. Basicamente, estou a proteger o meu futuro”, frisou.

    A imagem de Wright a vencer de capacete criou impacto e o surfista espera que sirva de inspiração para todos. “Espero que isto ajude a criar alguma mudança. Está na hora de o fazer no desporto. Não é só a nossa vida que sai afetada com isto, mas também a de todos os que nos rodeiam”, sublinhou o atual número 8 mundial.

    Contudo, há especialistas que defendem que o capacete pouco ou nada pode fazer em caso de lesões cerebrais. Alan Pearce, neurocientista numa universidade australiana, garante que o capacete apenas ajuda a evitar fraturar no crânio. “O capacete não protege uma pessoa de ter lesões no cérebro ou concussões, porque o cérebro continua a mover-se dentro do crânio. Até se torna mais arriscado, porque acabam por arriscar mais, uma vez que têm a falsa impressão que o capacete vai proteger o cérebro”, explicou o médio ao jornal “ABC”.

     

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