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  • Miguel Barata de Almeida: 'O Ericeira Surf Clube conseguiu o que seria impossível há uns anos'
    17 setembro 2019
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    Facebook Ericeira Surf Clube
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    Alexandre Melo
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  • Presidente do Clube bicampeão da Taça de Portugal de Surfing em entrevista, onde aborda diversas temas relacionados com a atividade do Ericeira Surf Clube.
  • Pelo segundo ano consecutivo o Ericeira Surf Clube conquistou a Taça de Portugal de Surfing, naquela que é considerada como a grande festa anual dos clubes.

    Competição que decorreu na Praia da Foz do Lizandro e contou com a organização do Ericeira Surf Clube. Instituição que para além do título absoluto, garantiu ainda o título coletivo de clube campeão de surf para além de cinco conquistas individuais, que ocorreram nas disciplinas de surf e bodyboard.

    Tudo isto num ano que foi marcado por uma participação recorde de clubes (23) e atletas (350 inscritos), provenientes do todo o país.

    Motivos, por isso, mais do que suficientes para estarmos um pouco à conversa com o principal rosto do Ericeira Surf Clube, uma associação desportiva sem fins lucrativos e que é liderada de alguns anos a esta parte por Miguel Barata de Almeida. 

    Qual a importância para o Ericeira Surf Clube deste novo triunfo na Taça de Portugal de Surfing?

    Desde o meu primeiro mandato, em 2012, que aos poucos começámos a apresentar equipas cada vez mais completas e fortes. Em 2015 vencemos a categoria Surf em Santa Cruz, em 2016 alcançámos o terceiro lugar na Figueira da Foz. Em 2017, também na Figueira da Foz, a vitória fugiu-nos por menos de 100 pontos. Sentimos todos que os próximos anos seriam nossos.

    Em 2018 e 2019 alcançámos o que seria impossível uns anos antes. Vitórias colectivas e individuais bastante convincentes. Se temos as melhores ondas de Portugal, temos de ter também os melhores atletas. O trabalho na formação das equipas tem sido bastante delicado, pois temos excelentes atletas e não os podemos levar a todos.

    Estes triunfos lançam definitivamente o Ericeira Surf Clube como um exemplo de sucesso e um clube bem cimentado no panorama nacional.

    Que retorno financeiro esta vitória poderá trazer para o Clube, nomeadamente os atletas?  

    O retorno financeiro da nossa aposta faz-se com vitórias. Não só colectivas, como também as individuais. Se em termos colectivos as premiações anteriormente dadas pela Federação Portuguesa de Surf não sendo agora atribuídas, aquando de negociações de futuros financiamentos poderemos apresentar estes trunfos: somos o clube bicampeão, o clube com mais federados, o clube com os melhores atletas.

    Quanto aos atletas, embora também não tenham premiações financeiras no final da Taça, havendo também títulos individuais, será sempre uma mais valia apresentarem-se com os seus títulos individuais e colectivos. A Taça é uma competição com um nível competitivo cada vez mais elevado.

    Em 2018, conseguimos oferecer aos campeões individuais da Taça vouchers para eventos Pro Junior da World Surf League. Não é muito, oferecemos o que podemos, mas é uma forma de reconhecermos os seus desempenhos.

    Gostava também de referir que foi efectuado um estudo em 2018 sobre o impacto económico da Taça de Portugal na Ericeira e este foi de 418.000,00 €. Número que por si só é bastante elucidativo do quanto a economia local lucrou.

    Como vê o enquadramento da Taça de Portugal no contexto do surf nacional?

    A Taça de Portugal é o maior evento de clubes no actual panorama nacional. Quando aceitámos o desafio para a sua organização foi com um enorme sentido de responsabilidade, procurando criar as melhores condições possíveis a clubes, atletas e staff técnico dignificando ao máximo o trabalho diário feito pelos clubes de norte a sul do país. Nestes dois anos bateram-se sucessivamente os recordes de clubes participantes (18 e 24) e de atletas (295 e 350).

    Quantas pessoas estiveram envolvidas na organização do evento? Quanto tempo demora a que tudo esteja preparado?

    Da nossa responsabilidade entre voluntários, estagiários, pais, membros dos órgãos sociais estivemos cerca 20 elementos no total dos dias. A sua preparação começa no ano anterior com a preparação das diversas propostas de sponsorização e escolha de potenciais sponsors.

    A abordagem faz-se a partir do início do ano, sendo mais incisiva no inicio do Verão (sobretudo aos locais) com o aproximar do evento. No terreno, dois a três dias chegam para ter tudo preparado para se receberem os clubes e respetivas equipas técnicas.

    Como observa o crescimento do surf em Portugal, enquanto desporto e indústria?

    Se por um lado este crescimento tem sido muito desregulado, em alguns locais até mesmo caótico, também tem havido maior visibilidade positiva sobre tudo aquilo que o surf representa na sociedade. Fazendo um apontamento de números, na Ericeira, em 2014 existiam 12 escolas de surf certificadas pela Federação Portuguesa de Surf (FPS). Hoje em dia estamos a caminho das 50.

    No mesmo ano estavam registados pouco mais de 300 AL no concelho, hoje temos mais de 1000, em que 65% são na Ericeira. Em termos de número de marcas e estabelecimentos directamente relacionados com o surfing, os números são praticamente os mesmos. Ainda no mesmo ano tínhamos cerca de 100 federados, hoje em dia já ultrapassámos os 180. Só tenho pena que este crescimento todo não signifique mais apoios para atletas e clube.

    A Federação Portuguesa de Surf tem feito um bom trabalho de apoio aos clubes?

    A Federação são os Clubes. Todos esperamos sempre mais da FPS, assim como de muitas outras entidades que criam regras em Portugal. No que respeita ao apoio directo aos clubes, será mais os clubes a apoiarem a FPS.

    Tirando o Circuito Profissional de Surf em que é a Associação Nacional de Surfistas quem o gere e organiza, todos os outros circuitos são da responsabilidade directa da FPS que entrega a organização das etapas aos diversos clubes.

    Se em alguns casos suportam o pagamento do staff técnico, noutros os clubes suportam todas as responsabilidades financeiras (alojamento, alimentação, staff, consumíveis, prize money).

    Sem me querer estender muito nesta questão, no imediato, para proteção da ação dos clubes nas suas comunidades terão de criar regras muito mais apertadas para emissão de Certificados de Escolas de Surf (por exemplo, aumentando os seus preços e não permitindo que um Treinador Nível 2/3 seja o responsável técnico de diversas Escolas); criar um novo Regulamento para as Escolas de Surf; promover acordos com a Autoridade Marítima Nacional no sentido de haver um licenciamento semelhante de norte a sul do país (sem as taxas exorbitantes idênticas às dos promotores privados - o Desporto Escolar não tem quaisquer exigências financeiras e de segurança comparativamente aos clubes quando promovem actividades semelhantes).

    A Câmara Municipal de Mafra é um apoio importante?   

    É o nosso maior apoiante. Os seus responsáveis procuram apoiar sempre que possível a grande maioria dos eventos e outras iniciativas, o que significa a importância do surf na Ericeira, sendo muito provavelmente o seu principal motor económico. Gostaria igualmente de destacar o apoio que a Junta de Freguesia da Ericeira nos tem prestado. Sempre incansáveis.

    Quais os maiores desafios que encontra ao estar à frente de um Clube?

    Tenho três que, certamente, são aqueles em que me foco mais. Dinamizar a identidade do Clube, procurar que o surfing chegue a todos e que tenham as mesmas oportunidades bem como procurar tratar todos os sócios/atletas da mesma forma, independentemente da sua qualidade enquanto atletas.

    Que apoios têm os atletas por estarem associados ao Clube?

    Os nossos atletas têm todos de ser obrigatoriamente sócios. A todos eles procuramos proporcionar as mesmas oportunidades não só em termos de facilitar o acesso a alguns locais de treino, como também custear inscrições na maioria dos circuitos; promove-los nas redes sociais; garantir etapas de Circuitos Nacionais na Ericeira ou também promover desde 1992 o Circuito Intersócios de Surf e Bodyboard, em que oferecemos bastantes prémios (pranchas, fatos ou vouchers).

    Até ao momento, qual o balanço do ano?

    O balanço é extremamente positivo. Para além de colectivamente nos termos tornado bicampeões da Taça de Portugal de Surfing e dos cinco títulos individuais conquistados pelos nossos atletas, estamos a desenvolver com a Câmara Municipal de Mafra o Projecto Surfing4Family durante três anos, que abrange quatro agrupamentos de escolas do nosso concelho.

    Estamos também a desenvolver dois projectos de formação de atletas. Individualmente os nossos atletas também têm estado bastante activos. O Afonso Antunes venceu a Final Mundial do Grom Search, enquanto a Filipa Broeiro e o Tomás Fernandes estão na liderança dos Circuitos Nacionais de Bodyboard Feminino Júnior e Surf Open, respetivamente, com várias vitórias em etapas. Para além de excelentes prestações de outros atletas nos mais diversos circuitos nacionais e internacionais.

    Que novidades tem o Ericeira Surf Clube, na calha, para 2020?

    Estamos a trabalhar em alguns projectos. Não gostaria de anunciar para já porque ainda necessitam de ser fechados. Posso no entanto adiantar que para além de algumas competições, haverão também projectos a nível da inclusão social.

    Em 2020 teremos novamente o Ericeira Surf Clube a organizar a Taça de Portugal de Surfing?

    Não me importava de organizar nos próximos anos, no entanto, segundo os regulamentos, não o poderemos fazer. Somente se não aparecerem clubes interessados.

    Até quando teremos o Miguel à frente dos destinos do Ericeira Surf Clube?

    Temos mandato até 2021. Se depois disso os sócios entenderem que o Clube necessita de mim e continuar motivado, sigo para novo mandato. Sou Sócio-Fundador, o que me dá uma maior responsabilidade.

     

     

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