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  • Maré de algas invade praias do Algarve
    23 agosto 2019
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  • Depois da água fria, algumas praias algarvias estão a ter a visita, em grande número, de um convidado indesejado para os banhistas.
  • O Verão de 2019, em Portugal Continental, tem sido bastante inconsistente em termos meteorológicos. Uma situação que tem contribuído para a ocorrência de fenómenos pouco normais.

    Falamos, por exemplo, do facto de já termos assistido neste Verão à temperatura da água do mar estar mais quente no Norte de Portugal do que no Algarve, região onde muitos portugueses estão a passar férias por estes dias. 

    Outra situação que tem ocorrido em algumas praias algarvias, nos últimos dias, é o facto destas terem sido invadidas por uma maré de algas, o que causa sempre algum incómodo e preocupação aos banhistas. As praias do sotavento algarvio são as que têm sido mais afectadas por esta indesejada maré. 

    Em declaração ao site do 'Diário de Notícias', Rui Santos, professor na Universidade do Algarve, explica a situação. "Não é uma situação normal, mas acontece. Há uma série de anos que não se via um desenvolvimento tão grande, mas é algo que já aconteceu muitas vezes".

    Rui Santos esclareceu ainda que as algas verdes que deram à costa, nomeadamente nas praias do barlavento algarvio, "desenvolvem-se dentro do ria quando existem condições propícias. Depois crescem, são exportadas e depositadas pelas correntes nas praias. Tem tudo a ver com a carga de nutrientes [azoto, nitratos]. A ria é um recetor dos efluentes urbanos, das ETAR [estações de tratamento de resíduos urbanos], que têm cargas elevadas de nutrientes".

    O académico considera que o recente aumento da temperatura poderá ser benéfico para diminuir o aparecimento das algas. A água fria tem uma maior concentração de nutrientes, o que abre espaço para o aparecimentos das algas. 

    Estes organismos não representam riscos para a saúde pública, ainda que no seu processo de decomposição "cheirem mal e libertem gás sulfídrico". Rui Santos diz que tal situação só poderá ser tóxica caso estejam concentradas uma grande quantidade de algas.

    Mediante este quadro, a Câmara Municipal de Vila Real de Santo António já emitiu um comunicado onde garantiu o "reforço da limpeza" dos areais que pertencem à sua área de jurisdição. 

    Uma limpeza, que segundo a autarquia, é realizada de forma manual e mecânica. Acções que só podem ser feitas durante o período noturno, momento em que existe uma menor afluência de pessoas ao areal, e quando a maré o permite. 

    Relembrar que às portas do arranque deste Verão, tivemos a interdição a banhos das praias entre Faro e Vilamoura devido à grande concentração de uma alga marinha, que era potencialmente perigosa para a saúde pública. 

     

     

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