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  • Cientistas tentam impedir desaparecimento dos sapais estuarinos
    15 julho 2019
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  • Investigadores das Universidades de Coimbra e Lisboa estão a estudar medidas de proteção e conservação de sapais estuarinos, anunciou hoje a Universidade de Coimbra.
  • Devido às alterações climáticas, os sapais estuarinos correm sérios riscos de desaparecer, tornando-se urgente a adoção de medidas de proteção e conservação destas zonas de elevada importância ecológica e socio-económica.

    Para mitigar o impacto causado por eventos climáticos extremos, mas também por atividades humanas (agricultura, urbanização, poluição), nas zonas de sapal dos estuários, está em curso o projeto de investigação ReSEt – Restauro de sapais estuarinos com vista à sustentabilidade.

    Financiado por fundos europeus através do Programa Operacional MAR 2020, o ReSEt junta 15 investigadores do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente das Universidades de Coimbra (MARE-UC) e de Lisboa (MARE-UL), do Instituto para a Sustentabilidade e Inovação em Engenharia Estrutural (ISISE) e do Departamento de Ciências da Terra da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

    No âmbito do projeto, será instalado, ainda durante o mês de Julho, um conjunto de células experimentais no estuário do Mondego, perto de Vila Verde, onde os investigadores vão estudar novas técnicas que impeçam a destruição dos sapais.

    "Vamos testar e validar quatro técnicas de eco engenharia que possam ser utilizadas para promover a sedimentação, proteger e recuperar estas zonas de sapal, nomeadamente uma paliçada de madeira, uma tela de geotêxtil e sacos de geotêxtil com areia, bem como o transplante de plantas autóctones. Estas experiências vão ser implementadas ao longo de um ano e meio, para assim podermos avaliar a evolução da taxa de sedimentação e das comunidades biológicas, com o objetivo de compreender qual destas técnicas será mais vantajosa do ponto de vista ambiental e económico", clarifica Tiago Verdelhos, investigador do Laboratório MAREFOZ do MARE e coordenador do projeto.

    Sabendo da importância das zonas estuarinas para a sustentabilidade das pescas, já que são fundamentais para os primeiros tempos de vida de muitas espécies de peixe, os investigadores vão também explorar a hipótese de proteger e conservar a fauna autóctone do estuário do Mondego com recurso à utilização de um tanque de aquacultura como “viveiro”.

    Para tal, "vamos deixar entrar a água do estuário, capturando o peixe dentro desse tanque, para que seja possível avaliar quer a quantidade quer a diversidade de peixes, assim como perceber se este método pode ser usado como técnica de proteção e conservação de espécies", adianta Tiago Verdelhos.

    O investigador do laboratório MAREFOZ adverte que é urgente adotar medidas de proteção e restauro dos sapais estuarinos porque, "se nada for feito, com a subida do nível do mar prevê-se que estas zonas, que por natureza estão situadas entre marés, tendam a desaparecer, com consequências bastante negativas. Iremos assistir à diminuição da biodiversidade e os serviços que são fornecidos por estes ecossistemas serão bastante afetados. Os sapais contribuem, por exemplo, para a retenção de carbono, a qualidade da água e reciclagem de nutrientes, e são fundamentais para a reprodução de peixes". 

    Em resumo, o projeto ReSEt desenvolve-se em três grandes eixos: ecossistema (testar técnicas de proteção dos habitats), biodiversidade (proteção da fauna) e sociedade (apostando em atividades de comunicação de ciência e ações de ciência cidadã, nomeadamente ao nível de sensibilização).

    A equipa do projeto espera que as soluções de proteção e restauro de sapais estuarinos desenvolvidas sejam aplicadas no estuário do Mondego e possam ser replicadas em qualquer estuário do mundo.

     

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    Redação
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