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  • Mau tempo: Obra da Polis fracassa no Algarve
    05 março 2018
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  • Aos longo das últimas semanas foram depositados milhares de metros cúbicos de areia, que, desapareceram com o temporal.
  • O mau tempo e as marés vivas do final da semana passada levaram à suspensão da empreitada de reforço do cordão dunar da ilha de Tavira, na praia do Barril, obra adjudicada pela Sociedade Polis Ria Formosa, e que estava a decorrer desde 8 de janeiro.

    Aos longo das últimas semanas foram depositados milhares de metros cúbicos de areia, que, desapareceram com o temporal. A agitação marítima inutilizou o esforço da empreitada e colocou a descoberto cabos e artefactos da antiga armação de atum, enterrados há pelo menos, 50 anos.

    «Não estávamos à espera. O mar insurgiu para terra, levou uma enorme quantidade de areia e chegou ao património pesqueiro da praia», explicou na manhã de hoje, domingo, 4 de março, Brígida Baptista, presidente de associação Lais de Guia e arqueóloga responsável pela obra.

    «Está previsto terminar em agosto. A parte da concessão estava praticamente terminada. Já estávamos quase nos preparativos de estender a areia para o concessionário poder montar a concessão a tempo da Páscoa. Essa era uma das prioridades».

    No entanto, se o objetivo da obra falhou, «os milhares de metros cúbicos de areia serviram de muralha natural que protegeu o património pesqueiro». Apesar da areia movimentar-se e assorear Cacela Velha, «foi o que protegeu o cemitério de âncoras e também as casas» da antiga armação.

    Depois da tempestade, vem a bonança?

    Foi crucial para a salvaguarda deste património.

    A intempérie, além de levar a areia que foi colocada, desnivelou o areal original, em cerca de um metro (negativo), de tal forma, que pôs a descoberto cabos e artefactos da armação enterrados há cerca de 50 anos.

    «O mar cortou as dunas e ficou à mostra uma grande parte dos cabos que seguravam as âncoras» assim como outras novas peças que não faziam parte do inventário de 2014.

    Enquanto arqueóloga responsável, Brígida Baptista tinha definido três zonas de proteção. «O cemitério de âncora, uma duna a oeste onde existe cablagem e boias de cortiça, e uma duna a este onde existe uma grande quantidade de cabos de ferro que estavam enterrados, a vários metros profundidade e que agora estão à superfície».

    Além da ação da natureza, também o fator humano acrescenta um risco. «É bom reiterar a ideia que o Barril é o único sítio do país onde existe ainda vestígios em tanta quantidade das antigas armações do atum. Aqui temos as estruturas habitacionais, de trabalho e o espólio daquilo que era montado no mar».

    O edificado está concessionado a um privado, embora no entender de Brígida Baptista, «o património é de usufruto geral, de uma comunidade, de um país. Tem de ser visto de uma forma única e singular. Neste caso, é urgente deixarmos de fazer ações isoladas de tentativas de pequenas conservações e pensar numa proteção para o todo», incluindo o lado imaterial.

    A arqueóloga gostaria de ver atribuído ao Barril um estatuto de «património de interesse municipal, e não mais atos isolados, em que estamos num jogo do empurra de responsabilidades».

    Brígida lamenta que o património está desprotegido, e todos os dias há quem invada o cemitério de âncoras e o pisoteio diário continua a acelerar a degradação da duna. Também os artefactos agora a descoberto são pontapeados por pessoas curiosas que ignoram o valor do que estão a pisar. «Não percebem que não o devem fazer. Neste momento há uma grande falta de consciência patrimonial».

    O assunto já não é novo. Em maio de 2011, Brígida Baptista redigiu uma carta aberta à Câmara Municipal de Tavira, a exigir um processo de classificação do espaço. As âncoras do Barril são um ex-líbris usado em muitos materiais de promoção turística, mas aquele património do final dos anos 1960 hoje, em 2018, não está protegido por lei. Agora, a arqueóloga pondera lançar uma nova petição.

    O projeto da sociedade Polis da Ria Formosa tem por principal objetivo «promover a adaptação às alterações climáticas e a prevenção e gestão de riscos» contando para isso com um orçamento total elegível de 3,9 milhões de euros.

    A intervenção no Barril tem um valor de 2,9 milhões de euros (mais IVA), foi projetado pela empresa Origem das Formas (Unipessoal, Lda) e está adjudicada à Sofariea, Sociedade Farense de Areias, SA.

    O apoio financeiro do Fundo de Coesão da União Europeia é de 3323333,20 euros, sendo que o encargo financeiro nacional é de 586470,57 euros.

     

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    Fonte e Fotos: Barlavento

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