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  • Mineração nos Açores e os factos consumados!
    20 março 2018
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  • E os Açores, não têm uma palavra a dizer sobre o que se faz no seu mar?
  • No passado dia 9 de março, realizou-se em São Miguel um workshop sobre Mineração em Mar Profundo no Atlântico Norte, por iniciativa do projeto europeu MARINA.

    O subtítulo do evento era o seguinte: Uma oportunidade para fazer as coisas bem feitas.

    Esta ideia revela claramente que, para os responsáveis pelo projeto MARINA, a decisão está tomada. A mineração do mar profundo no Atlântico, ou seja, no mar dos Açores, é para avançar e o que se debate é apenas a forma como esta será realizada.

    Arsenal de robots para explorar o fundo do mar em Portugal.

    No entanto, esta certeza apresentada logo no início da conferência, contrasta com as dúvidas e alertas lançados ao longo da mesma no que respeita aos possíveis impactos da mineração nos ecossistemas marinhos e, consequentemente, em tudo o que deles depende.

    Sendo os ecossistemas do mar profundo frágeis e vulneráveis, não existe conhecimento científico que permita avaliar com rigor os possíveis impactos desta atividade. E nos Açores estamos a marcar passo nesta área.

    Interessados em saber como começou esta "moda" da mineração marinha? Tudo remonta a 1968, num projeto da CIA para o Governo de Richard Nixon. Mais infos aqui.

    A proliferação de “Centros” de investigação de bolso (Air Center, Observatório do Atlântico, etc) por estas ilhas fora, sem que nada de palpável surja, leva a crer que nada está a ser planeado pelos governos para que exista um forte investimento na investigação sobre esta matéria nos Açores. Um investimento que nos permita obter o conhecimento necessário para decidir sobre o nosso mar. Temo, pois, que estes centros com nomes pomposos não passem de caixas de correio com arquivo de relatórios.

    Notícia: Humanidade não precisa de mineração marinha!

    E os Açores, não têm uma palavra a dizer sobre o que se faz no seu mar? Temos uma palavra, mas ela de pouco vale, porque quem manda no ordenamento do nosso mar é o Terreiro do Paço, graças à Lei de Ordenamento e de Gestão do Espaço Marítimo, aprovada em 2015, pelos mesmos de sempre, PS, PSD e CDS.

    Assim, mesmo que nos Açores queiramos aplicar o princípio da precaução e estudar a fundo os possíveis impactos da mineração do mar profundo nos ecossistemas e até noutras atividades económicas, a nossa opinião de pouco ou nada vale.

    E quem tem a capacidade de fazer mineração a milhares de metros de profundidade? Portugal não tem indústria nesta área e tão pouco a está a desenvolvê-la. É certo então que entregaremos os direitos de exploração do nosso mar a terceiros, sejam países ou multinacionais, a troco de umas quantas migalhas, ficando os Açores com os potenciais prejuízos ambientais e económicos.

    Por isso, há duas coisas a fazer para que possamos decidir sobre os nossos recursos marinhos: investir fortemente na investigação científica de ponta nesta área e alterar a Lei de Ordenamento e de Gestão do Espaço Marítimo.

    É isto que os portugueses querem para os Açores? O nossso Ministério do Mar parece dizer que sim.

     

     

    Para acompanhar e confirmar live, os dados sobre o estado do mar, pode usufruir da nossa rede de livecams e reportspreparada para essa finalidade.

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    Foto: CNBC

    Texto: António Lima R105FM

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