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  • Mexilhão do Algarve tem microplásticos
    02 novembro 2018
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  • Embora os microplásticos também tenham sido encontrados em peixes, a investigadora garante que o caso dos bivalves é bem mais preocupante.
  • O mexilhão algarvio já contém a presença de microplásticos. A descoberta foi feita durante o último verão por Investigadores do Centro de Investigação Marinha e Ambiental (CIMA), da Universidade do Algarve. A confirmação foi feita por Maria João Bebianno, diretora do CIMA, ao portal “Sul Informação”.

    Apesar de não ser expectável, a presença de microplástico nestes bivalves aconteceu sobretudo na zona de Sagres. “Foi com alguma surpresa que detetámos alguns microplásticos em mexilhões, ostras e salmonetes”, começa por dizer a diretora do CIMA, sobre a investigação que foi financiada pelo projeto JPI, da União Europeia.

    “À partida, achava que não íamos detetar nada, mas encontrámos, na costa portuguesa, vários mexilhões com microplásticos, com principal incidência na zona de Sagres, mas também em Portimão”, frisoa Maria João Bebianno ao “Sul Informação”.

    Embora os microplásticos também tenham sido encontrados em peixes, a investigadora garante que o caso dos bivalves é bem mais preocupante. “No caso dos peixes, a maior parte dos microplásticos está a ser detetada nas vísceras, que não fazem parte da alimentação. Mas, no caso dos bivalves, comemos tudo”, explica.

    “Já foi apresentado um primeiro estudo sobre a identificação de microplásticos nas fezes de humanos e essa é uma via para podermos averiguar. No entanto, não sabemos ainda quais os efeitos que isso pode ter”, refere a diretora do CIMA, antes de frisar outro problema que a presença de microplásticos pode criar em relação aos bivalves: “a sua acumulação faz com que estes considerem que estão saciados, por isso deixam de se alimentar e não se desenvolvem”.

    Maria João Bebianno explicou que os dados já conhecidos sobre a presença de microplásticos no Algarve são “uma primeira abordagem, muito preliminar”. “Importa recolher amostragens mais regulares, para vermos se a situação se mantem. O que é facto é que foram detetados microplásticos”, sublinha.

    Por fim, a responsável do CIMA, garantiu ainda ao mesmo meio que já está a iniciar-se um outro estudo em relação às ameijoas. “O que pretendemos saber é se existe alguma replicação daquilo que encontrámos nos mexilhões”, conclui.

     

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