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  • Medicamentos feitos com algas “portuguesas”
    05 novembro 2018
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  • A equipa acaba de instalar no fundo do mar, junto ao arquipélago das Berlengas, um protótipo de uma câmara hiperespectral, que permite observar o aparecimento das algas.
  • Uma equipa de investigadores europeus tem estudado as algas invasoras presentes num extenso trecho de costa que liga Peniche à Galiza, desenvolvendo novos produtos para a indústria farmacêutica, cosmética e alimentar. A equipa de investigação do projeto 'Amália' já identificou seis espécies de algas invasoras com potencial, sobretudo na costa de Peniche, Figueira da Foz, Viana do Castelo e Galiza.

    “Se pegarmos nessas algas, que são uma ameaça, e gerarmos oportunidades e produtos estamos a promover a sustentabilidade do meio ambiente e a promover o crescimento económico, com base nos recursos marinhos”, disse à Lusa Marco Lemos, docente do Instituto Politécnico de Leiria (IPL) e coordenador do projeto.

    O projeto já tem um ano e meio e investigadores biotecnológicos já desenvolveram e têm em fase pré-comercial uma película natural, que não só substitui os sacos de plástico usados para conservar pescado congelado, como também aumenta a sua qualidade e o seu tempo de conservação.

    Em fase pré-comercial está também uma nova ração para aquacultura. À semelhança da ração, está a ser estudado o aproveitamento dessas algas em novos antibióticos também para aquacultura. Estão também a ser estudados usos em protetores solares e outros cremes da indústria cosmética.

    “O uso de compostos das algas invasoras [nestes produtos] pode diminuir a carga microbiana, os agentes patogénicos e a mortalidade. As algas não podem escapar do sol e desenvolveram naturalmente esta capacidade de se protegerem do sol. Se conseguimos extrair esses compostos e aplicarmos num protetor solar estamos a criar um novo produto”, explica o investigador.

    Marco Lemos adianta que, como “as algas produzem compostos tóxicos para bactérias, pode-se aplicar esses compostos e ter cremes antiacne”. Da mesma forma, está a ser estudada a possibilidade de vir a usar as algas invasoras na indústria farmacêutica para o fabrico de terapêuticas de combate ao cancro e à doença de Parkinson. No espaço de dois a três anos, acreditam os investigadores, alguns destes produtos podem vir a ser comercializados, à exceção dos farmacêuticos.

    “Estamos a desenvolver projetos em grande proximidade com a indústria, percebendo quais são os seus problemas e desenvolvendo produtos de que o mercado necessita, o que possibilita uma aceleração do desenvolvimento dos mesmos produtos”, sublinha o coordenador da investigação.

    A equipa acaba de instalar no fundo do mar, junto ao arquipélago das Berlengas, um protótipo de uma câmara hiperespectral, que permite observar o aparecimento das algas e enviar imagens para a indústria em tempo real, via satélite. O equipamento, já utilizado na medicina, foi pela primeira vez desenvolvido para ser adaptado à pesquisa subaquática por uma empresa de inovação holandesa, parceira do projeto.

     

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