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  • Surf Talks by Turismo de Portugal
    18 setembro 2018
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  • Players defendem maior união, profissionalização de quadros e apoio aos atletas
  • Surf Out Portugal decorreu este fim de semana na FIARTIL, com o apoio do Turismo de Portugal.

    Lisboa, 18 de setembro de 2018: A Surf Out Portugal abriu portas pela primeira vez este fim de semana, dias 15 e 16 de setembro, na Feira de Artesanato do Estoril (FIARTIL), para juntar todo o setor do surf – e simpatizantes da modalidade – num momento único de diálogo. Nas Surf Talks by Turismo de Portugal, que juntaram nomes de peso do mundo do surf e não só, foi discutida a sustentabilidade das nossas praias, a fama das nossas ondas e o talento português, mas também se o país precisa de mais ou melhor surf, até que ponto se devem abrir as portas ao exterior e sobre as marcas ligadas à modalidade.

    O sábado começou com um debate sobre como fazer das nossas praias um case study de sustentabilidade, até porque, além de outros aspetos, muitos dos materiais utilizados no surf são feitos de plástico, desde as roupas às pranchas.

    “O plástico em si não é mau, o problema são os plásticos que usamos uma só vez e os microplásticos. Por um lado, é preciso encontrar outros materiais que permitam a mesma funcionalidade que as atuais pranchas de surf, por outro é preciso arranjar um plástico que não se torne em microplástico. É preciso inovação”, defende Bernardo Corrêa de Barros (Turismo de Cascais).

    Outros pontos importantes na defesa do nosso mar – e em que todos os intervenientes estiveram de acordo – são a edução dos mais novos e boas práticas no terreno. António Pedro de Sá Leal (Surfrider Foundation) diz que “as crianças são os melhores agentes para proteger o futuro” e Célia Fernandes (Câmara Municipal de Mafra) apela a “um maior equilíbrio em termos de estratégia, levando o turismo a outras zonas, evitando a massificação turística nas costas”, numa conversa em que esteve também Rúben Verdadeiro, da ecoPro.

    “O mundo atento às nossas ondas” foi o mote para a Talk seguinte, que juntou João de Macedo (surfista Big Wave World Tour), Rui Costa (Capítulo Perfeito), António José Correia (ex-presidente da Câmara de Peniche) e Lídia Monteiro (Turismo de Portugal). O painel não podia estar mais de acordo: mais do que promover as nossas ondas, há que promover experiências no país, mostrar o que de melhor temos e conquistar os turistas pelas vivências.

    “As pessoas não precisam de praticar surf para quererem vir cá ver as nossas ondas e vir viver a boa onda que é estar em Portugal. O surf e a comunicação à volta do surf não se restringe à volta da modalidade. Já somos muito procurados online como destino de surf, então temos que lhes dar boas experiências quando eles cá vêm, porque é uma boa experiência que os vai levar à repetição. Temos  de pensar que mais produtos e serviços podemos ter à volta do surf, para que possamos oferecer boas experiências e para que os turistas convidem os seus amigos a vir também. Não tenham a menor dúvida de que esta é a melhor forma de promover o país”, afirma a responsável do Turismo de Portugal.

    Quem também promove, direta ou indiretamente, o país como destino de surf são os próprios atletas, muitos deles campeões. É o caso de Tiago Pires, agora fora de água a gerir a ReAct Sports Management, mas reconhecido como o maior surfista português de sempre. Ele juntou-se às Talks, com Nuno Moura (Federação Portuguesa de Futebol), Nuno Telmo (Academia Profissional de Suf) e Pedro Kol (Campeão Europeu de Kickboxing), para ajudar a perceber o que é preciso para termos atletas entre os melhores do mundo.

    “Já não chega pessoas apaixonadas. A paixão é um fator importante, mas tem de haver cada vez mais uma profissionalização dos quadros, de todos os que estão envolvidos. Temos de ter bons gestores, bons profissionais no marketing, pessoas com experiências válias, até experiências lá fora e que possam trazer um maior grau de profissionalismo e amplificar o poder da ‘marca’”, salienta Nuno Moura.

    Nuno Telmo acredita que estamos hoje “melhor formados”, mas também defende que é preciso mais e Tiago Pires pede ainda mais apoios: “Uma das coisas que não tem acompanhado este boom do surf em Portugal é o investimento das marcas. Porque há mais atletas mas o investimento é igual ou ainda menos”, lamenta o ex-surfista.

    E sobre se precisamos de mais ou melhor surf, Joana Rocha (campeã nacional e fundadora da Chill in Ericeira) não hesita: “Portugal ainda não é um país super massificado no surf (como é o caso da Indonésia) e precisa de mais e melhor surf. E para que seja um destino europeu de excelência para a prática de surf é necessário que se criem mais estruturas”.

    Com a campeã estiveram em debate, no domingo, João Capucho (consultor e membro da EFS), Pedro Adão e Silva (professor universitário) e empresário Tim Vieira. Este último diz que só vê “bons problemas” no surf e refere que do ponto de vista de empresario vê na modalidade “uma boa oportunidade” para investir.

    Com o surf cada vez mais democratizado e instalado no nosso país, era igualmente importante analisar a adaptação da indústria de nicho ao mediatismo e o impacto da entrada de grandes marcas de outros setores no mundo do surf. Francisco Rodrigues, presidente da Associação Nacional de Surfistas e moderador neste debate, refere que “pode haver uma construtiva convivência entre marcas de surf e marcas ‘fora de água’”.

    Pedro Soeiro Dias (Despomar), Álvaro Costa (Polen Surfboards), Frederico Teixeira (Ocean Events), Ivo Purvis (Clube Criativos de Portugal) e Miguel Guerra (MEO) também partilharam o seu ponto de vista. Pedro Soeiro Dias vê com bons olhos que as marcas de fora do desporto apostem no surf e acredita que isso ajuda a “criar valor”. Adianta ainda que na Despomar a posição é a de colaboração com os mais variados parceiros. Já o responsável de Marketing e Comunicação da MEO recorda que a marca há muito apoia a modalidade, que os atletas precisam de mais apoios, mas que também têm deveres para com as marcas.

    “A MEO é a maior marca ‘fora de àgua’ a investir na modalidade porque em 1997 (ainda enquanto PT) acreditámos no potencial do surf e transmitimos a 1ª prova mundial de surf (a partir de Ribeira D`Ilhas). Quisemos pôr a tecnologia a favor do surf”, nota Miguel Guerra, acrescentando que “os atletas precisam de mais apoios de marcas portuguesas, mas também é  responsabilidade dos surfistas cuidarem dos patrocínios que recebem. O surfista deve ver a oportunidade de dar também retorno à marca”.

    As Surf Talks by Turismo de Portugal terminaram por abordar o que deve ser feito para tornar Portugal num centro de decisão internacional das grandes marcas e empresas do setor. Walter Chicharro (presidente da Câmara Municipal da Nazaré) é da opinião de que “o Governo tem feito muita coisa para captar grandes marcas”, mas que há espaço para mais. Juntou-se ao representante da Nazaré, Francisco Spínola (WSL Europa) e Francisco Rodrigues (Associação Nacional de Surfistas).

    “Nos últimos 4 a 5 anos as marcas ‘fora de água’ perceberam que este é um território muito interessante para estarem. Quanto mais marcas fora do surf vierem, melhor”, afirma o responsável da WSL Europa, deixando a nota de que “90% das empresas que trabalham com a WSL são portuguesas”. Questionado sobre o interesse de marcas estrangeiras no surf nacional, Francisco Spínola diz ainda que “Portugal está a fazer tudo bem” para atrair investimento internacional e que, por isso, é uma questão de tempo até esse investimento crescer.

    As Surf Talks foram o centro da Surf Out Portugal, promovendo o debate, mas não a única atração: os visitantes poderam espreitar cerca de 50 expositores, com serviços e produtos ligados ao surf, e aproveitar os espaços de animação, atividades e food trucks no local. Ao todo, foram investidos cerca de 55 mil euros nesta primeira edição.

    “As Talks mostraram que a indústria reconhece os pontos que devem ser melhor trabalhados em prol de um maior desenvolvimento da modalidade. E foi interessante ver que as ideias dos diversos players estão bastante em linha”, diz Patrick Stilwell, que organizou o evento com o irmão Salvador Stilwell.

    A organização acredita que há espaço para abrir portas a ainda mais participantes e mostrar que o talento e a qualidade não podem ser só nas ondas. Além disso, pensam na internacionalização: “Gostaríamos de caminhar para a internacionalização do evento, reunindo vários players internacionais. E acreditamos que é possível, já que este ano recebemos inúmeros contactos de players de fora a quererem juntar-se a nós, mesmo sendo uma primeira edição na iniciativa”, nota Salvador Stilwell.

     

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