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  • 'Pedro, o Pescador' com futuro incerto
    26 junho 2018
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  • ''Do pouco que rende, o Governo ainda nos leva a maior parte, em impostos. Até os peixes sumiram, muita variedade desapareceu''
  • Está atrasado o início, em pleno, da pesca com arte xávega, que habitualmente arranca em abril ou maio, e de que ainda dependem várias pequenas comunidades de praias da região.

    O mar andou muito agitado e o peixe que aparece não tem compensado os custos de ir lançar redes. As campanhas em atividade resistem com muitas dificuldades.

    Nesta altura, quem chega às praias da região de Aveiro onde ainda existe pesca com arte xávega (Esmoriz, Cortegaça, Furadouro, Torrão do Lameiro, Torreira. Vagueira) estranha não ver os barcos na faina com a frequência habitual.

    Vejam aqui as nossas camêras nas praias de Aveiro

    As condições do mar não ajudaram. Aliás, o tempo instável das últimas semanas também parece ter afastado o peixe da costa.

    O pior que podia acontecer no ´ganha pão´ das comunidades piscatórias quando a procura começa a subir e a venda de carapau e sardinha (bem menos) rende um pouco mais.

    "De alguns anos para cá tem vindo a piorar. Não vemos peixe na hora certa, que é quando há por aqui muitos turistas e gente de férias. Quando aparece peixe, em setembro, já não há saída como no início. Um bom lanço, que dê 100 caixas, rende cinco euros o quilo e passamos o dia na lota para vender", lamenta o armador David Oliveira, de 44 anos, que já desespera por melhores dias para lançar as redes de arrasto ao largo da praia do Torrão do Lameiro, no concelho de Ovar.

    "As despesas do combustível, dos seguros, manutenção dos tratores e o pessoal a depender do que ganha ali, à percentagem" causam muitas dores de cabeça e fazem "pensar se vale a pena continuar".

    "É uma arte cega"

    Alberto, mestre de redes, aparelhou o barco "Pedro, o Pescador" há várias semanas, mas a permanência longa em terra desmotiva os pescadores que vão arranjando outras ocupações. "É uma arte cega, põe-se a rede ao mar; se der deu, se não der é prejuízo para o patrão e para quem trabalha. O futuro disto é morrer. Não há pessoal que queira dar continuidade, sem peixe desmoralizam", alerta.

    Quase a atingir oitenta anos, o arrais Rodrigues prepara-se para dizer adeus no final do período de safra. Com um lamento: a pesca artesanal pouco rende no presente, nem é vida de futuro.

    Cada barco de arte xávega precisa, pelo menos, de uma tripulação de 15 pessoas. A cada saída para a faina é mais difícil ter gente para embarcar.

    "Para já, enquanto puder subir ao barco, vou. Mas a minha idade aconselha a terminar esta aventura", diz, conformado, o antigo emigrante que passou duas décadas no Brasil.  

    "Temos aqui no Torrão do Lameiro apenas um barco a pescar. Do pouco que rende, o Governo ainda nos leva a maior parte, em impostos. Infelizmente, este ex libris está ameaçado. Até os peixes sumiram, muita variedade desapareceu", lamentou o arrais.

     

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    Fonte: Notícias de Aveiro

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