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  • Pedro Sturken 'Senti na pele, quão frágil é a vida'
    24 outubro 2017
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  • O testemunho de quem passou ao lado de uma situação trágica no mar.
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    Um testemunho real e na primeira pessoa, de quem passou por uma situação de resgate em pleno mar. Falamos de Pedro Sturken, que na passada sexta feira preparava-se para mais uma surfada normal, na Praia do Guincho.

    "Hoje senti na pele, o quão frágil é a vida.

    15.50h Praia do Guincho


    Estou a preparar-me para entrar na água, quando sou avisado por uma pessoa na areia que um senhor está em dificuldades para sair da água, na zona esquerda do guincho conhecida pelos seus fundões e agueiros.

    Agarro na minha prancha e começo a correr sem sequer pensar no que podia estar para vir.. 
    Tento gritar por ajuda para virem comigo mas nenhum dos meus amigos ouviu, por isso entrei, não tinha outra hipótese.

    Entrei na água e tentei ir o mais rápido que consegui. Quando estou a chegar ao pé do corpo, achei que em principio estaria consciente, mas não, já estava inconsciente… vi-o a levar com uma onda e depois quando chego já só encontrei as mãos porque o resto ja se estava a afundar. 
    Puxo o corpo para cima e ja estava com a cara roxa, olhos esbugalhados e a boca com muita água, tentei-o pôr na minha prancha e apanhar uma espuma mas foi muito difícil, o peso morto do corpo era enorme e a minha prancha basicamente ia ao fundo. 
    Com este desespero de ter que suportar aquele peso todo e ter que manter a cabeça à tona da água, acabo por levar com algumas ondas e perco o corpo. 
     
    Olho em volta à procura, até que o corpo vem ao de cima e acredito agora que tenha morrido naquela altura, porque ele engole muita água o tempo que esta debaixo de água, e não sei… quando o puxo e olho para a cara, foi o que senti… Senti que ele já não estava lá.
     
    Agora já sem prancha e só a tentar agarrar no corpo dele para não ir ao fundo, o desespero começou a ser grande. Volto a perder o corpo mais uma vez, não me perguntem como ou porquê mas aquele peso todo, deslizava-me dos braços sempre que levava com ondas. 
    Volto a agarrá-lo mas as forças começavam a desaparecer, estávamos a levar com muitas ondas em cima e tínhamos a corrente a puxar para fora…
    Um pesadelo. Não estava a ver como é que ia sair dali com ele. 
     
    Felizmente, no meio daquela confusão toda, olho em frente e vejo 2 rapazes (o Francisco Pereira e o António Quartin) a virem em direção a mim… o primeiro a chegar foi o Francisco e já só consegui gritar-lhe em desespero - “AJUDA-ME! AJUDA-ME! AJUDA-ME!” 
     
    Mesmo muito assustados e em choque, foi o que eles fizeram e com uma enorme bravura, numa situação muito complicado e nada fácil de lidar.
     
    Voltámos a perder o senhor no meio das ondas e aquilo já começava a ser um autêntico desespero. O corpo pesava toneladas e as forças eram quase nenhumas… continuámos e continuámos mais uns longos minutos a nadar e a nadar para conseguir chegar a terra. 
     
    Quando chegámos a Terra, já estavam algumas pessoas à espera para o puxar. Eu já não consegui ajudar muito mais, já não tinha fôlego para nada.. só me consegui sentar na areia e respirar durante uns bons 10/15 minutos… 
    Dois turistas que estavam na praia, um médico e uma enfermeira, começaram a fazer a reanimação cardiopulmonar e gritavam por ajuda e por uma ambulância.
     
    Passado uns bons 15 minutos chegam os Bombeiros, depois a equipa do Inem e foi o que eu disse. Eles tentaram de tudo e de forma brilhante, mas já nada havia a fazer. No fundo, como vos disse, tinha sentido que aquele senhor já tinha morrido lá dentro…
     
    Enfim… foi um dis triste e que não foi fácil de lidar, nem para mim nem para os rapazes que vieram ajudar-me.. muitas imagens inesquecíveis, muito desespero e um grande sentimento de impotência. 
    Uma experiência que não desejo a ninguém e que acredito que não sou eu, os dois rapazes, nem o David Raimundo, ainda ontem novamente no Guincho, que temos que passar por isto, especialmente porque não somos treinados para este tipo de rescue ou situação.
     
    As praias mais perigosas em todo o mundo têm sinalizações, têm nadadores-salvadores o ano inteiro e até têm equipas treinadas de rescue, prontas a agir. 
     
    Nós, os que vivemos do turismo e temos das costas mais perigosas do mundo, chega o inverno, a altura mais perigosa e onde muitas vezes o bom tempo se mantém e o que fazemos é cortar nas equipas de nadadores-salvadores, não temos um sinalização apropriada, um nadador salvador, uma equipa em cada área pronta a entrar, nada… 
    Acho que só a Nazaré é que tem uma equipa do género (corrige-me se tiver enganado..) Só que não chega…
     
    Chegou a altura de fazer alguma coisa, não podemos ser nós… 
     
    Obrigado, Pedro Sturken."

    Não é só a Nazaré que tem este tipo de serviço, mas realmente há que colmatar esta falha que tantas vidas tira todos os anos... O nosso bem haja Pedro e condolências para todos os amigos e familiares de vítimas no mar.

     

    Para acompanhar e confirmar live, os dados sobre o estado do mar, pode usufruir da nossa rede de livecams e reports preparada para essa finalidade.

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