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  • 'Homem peixe' desafia Canhão da Nazaré
    02 outubro 2017
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  • A sua paixão pelo mar levou-o a querer experimentar diferentes tipos de ondas
  • Desde que Garrett McNamara projectou o canhão da Nazaré para o mundo que os viciados em ondas grandes não param de acorrer a Portugal. Agora é a vez de Henrique Pistilli, conhecido no meio como “homem peixe” pela sua capacidade de natação, que tem aplicado com mestria ao bodysurf, a arte de surfar sem prancha.

    É um desporto que pratica desde cedo. “A origem de brincar, de apanhar as ondas pequenas – pegar jacaré, como dizemos no Brasil – e também o pólo aquático fazem-me ter muito mais prazer a nadar do que estando de pé em cima de uma prancha. Sinto-me mais conectado. Eu até tentei surfar em pé quando era adolescente, mas o que sempre gostei mesmo foi de ter o meu corpo imerso na água”, explica em entrevista à Renascença.

    “Há muitos surfistas que dizem que esta é a forma de surf mais pura. Não tem tanta velocidade como na prancha, não tem o olhar de cima, do tubo, talvez nalguns tubos mais profundos não se consiga sair, mas a sensação do corpo estar em contacto com a superfície da onda é quase uma meditação dinâmica: traz muita presença, muita paz, muita integração”, diz Henrique Pistilli, que também se dedica ao "life coaching" e à consultadoria através da interacção com a natureza.

    A sua paixão pelo mar levou-o a querer experimentar diferentes tipos de ondas e foi no Havai que se estreou nas ondas grandes, surfando "picos" famosos como Waimea, Pipeline e Jaws. Mas há muito tempo que os surfistas sabem que quanto maior é uma onda mais água sobe pela superfície e, por isso, mais difícil é apanhá-la em tempo útil para ser surfada. O problema agrava-se quanto mais arrasto houver dentro de água, pelo que as pranchas têm vantagem sobre o corpo.

    Em ondas gigantes, como as da Nazaré, só puxado por um jet-ski – o chamado "tow-in" – é que os surfistas conseguem entrar na onda. Até agora era considerado impraticável usar o "tow-in" para o bodysurf, mas há dois anos que Pistilli trabalha num protótipo de um fato que desenvolvido especificamente para esse efeito. É isso que o traz a Portugal e ao canhão da Nazaré.

    Seis, sete ou oito metros chega

    Ainda assim, o "homem peixe" não vem com ilusões de apanhar ondas de 30 metros… “É muito grande e eu não conheço o pico. Quero ir para conhecer, apanhar ondas sem prancha, conectar com o lugar, testar o equipamento com o jet-ski e o protótipo do fato. Se conseguir apanhar uma onda intermédia, até uns seis, sete ou talvez oito metros, e se a conseguir fazer com beleza, deslizar e talvez até conseguir um tubo, já vou ficar bastante feliz.”

    Com ondas de oito metros, a maior parte das pessoas não mete o pé na praia, quanto mais no mar. Evidentemente existem riscos, o que obriga a uma preparação rigorosa. Mas o risco é algo a que Pistilli está habituado, tendo em conta que já surfou ondas grandes que rebentam por cima de rocha e coral a pouca profundidade.

    “Em Teahupoo, no Tahiti, apanhei uma das maiores ondas sem jetski. É uma onda muito intensa e muito rasa. Tem um certo risco, mas eu brinco e digo que as pedras não são malvadas, só são duras. É só saber lidar com elas, não se colocar numa posição em que a onda nos vai lançar para a pedra. É preciso muita técnica, muita observação. É preciso escolher bem a onda para não se colocar em risco.”

    Sem uma prancha a que se agarrar quando as coisas correm mal, a calma é mesmo um dos maiores trunfos do praticante de bodysurf, mas não só.

    “É o maior princípio de todos, seja na água ou fora da água, no trabalho, na vida, se perdermos a paz não sobra nada. É preciso cuidar da energia que emanamos, cuidar de como nos sentimos, como nos posicionamos no próprio dia, como andamos e respiramos, estando conscientes de que se estivermos bem internamente isso vai transbordar", afirma.

    "Numa onda grande se desesperarmos, se gastarmos energia a pensar em fantasias que não nos vão ajudar, em medos... É preciso observar a situação, inspirar e tomar a melhor decisão, estar calmo.”

    "Workshop" na Caparica

    É para passar alguns destes princípios, conhecimentos e técnicas a outros que Henrique Pistilli vai aproveitar a sua estadia em Portugal para dar uma formação durante o fim-de-semana de 14 e 15 de Outubro.

    Organizado pela Ahua, uma empresa portuguesa que produz "handplanes" – pequenas pranchas de mão que se podem utilizar no bodysurf – o "workshop" acontece na Caparica. “Desde iniciantes até avançados, trabalhamos técnicas de respiração, exercícios funcionais específicos para compreender como está a nossa movimentação na água, seja a brincar à beira da praia nas ondinhas, seja sem pé, seja numa onda grande, trabalhamos todos os princípios.”

    Há também uma parte dedicada à performance, “para quem é bodysurfer poder ampliar muito mais a consciência corporal, os movimentos, os agrupamentos musculares que são chave para dar um salto no desporto e por isso fazemos vários exercícios nesse sentido também”.

    Fonte: RR

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