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  • Mil pessoas tentaram salvar a praia em Odeceixe
    14 agosto 2017
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  • Utilizando os seus corpos para desenhar uma enorme mensagem no solo, centenas de pessoas criaram uma mensagem na areia
  • Cerca de 1000 pessoas, incluindo ativistas de 40 países, residentes locais e banhistas, juntaram-se este sábado, 12 de Agosto, na praia de Odeceixe, para criar a imagem de um golfinho na areia, em solidariedade contra a prospeção e exploração de petróleo na costa portuguesa, acompanhados de uma linha vermelha, onde a praia encontra o oceano, para representar as vozes dos que dizem não.

    «Numa altura em que os incêndios percorrem o país, destruindo cerca de 30.000 hectares de floresta apenas durante a última semana, testemunhando 80% do país em condições de seca “severa” ou “extrema”, esta combinação de intenção, arte e ação política envia uma mensagem clara e unificadora: água é vida, água é sagrada, a vida é sagrada e é necessário defender o que é sagrado», salienta os promotores da iniciativa.

    Os grupos ambientalistas ASMAA (Algarve Surf and Marine Association), ALA (Alentejo Litoral pelo Ambiente), Climáximo, Vila do Bispo sem petróleo, Tavira em Transição, Campanha Linha Vermelha, bem como os municípios de Aljezur e Odemira, juntaram-se a esta ação, que se integra na iniciativa “Defender o Sagrado: Imaginar uma Alternativa Global”.

    Laurinda Seabra, dirigente da ASMAA, recordou que «entre Abril e Junho de 2018, a GALP e a ENI ameaçam com a pesquisa e exploração de petróleo na costa portuguesa. A partir desta praia, conseguiríamos ver as plataformas petrolíferas. Aquilo que hoje fazemos é dedicado à proteção dos nossos oceanos, das nossas praias, das nossas terras e do nosso planeta».

    Martin Winiecki, coordenador do Instituto para o Trabalho Global pela Paz, em Tamera, e anfitrião do encontro, acrescentou: «dedicamos esta ação à mudança de paradigma, de uma cultura de exploração para uma cultura de cooperação com tudo o que vive. Queremos também erguer a nossa voz pelos fogos que assolam Portugal e o mundo inteiro. Estes fogos resultam da gestão danosa de florestas e recursos hídricos. As monoculturas de eucaliptos são incentivadas pelo mesmo sistema orientado para o lucro de curto-prazo, que nos pressiona agora a explorar petróleo nesta costa».

    A ação foi desenhada por John Quigley, porta-voz ambientalista norte-americano, conhecido no mundo inteiro pelo seu ativismo de arte aérea. «Hoje o movimento cresce… esta praia é um exemplo disso. Estas famílias pensavam que vinham até aqui para brincar com as suas crianças, e acabaram por se tornar ativistas em defesa desta praia», salientou John Quigley.

    Utilizando os seus corpos para desenhar uma enorme mensagem no solo, centenas de pessoas criaram um enorme golfinho na areia com a mensagem “Não ao Furo! Sim ao Futuro” e “Defend the Sacred”.

    A mensagem integrou também a Campanha Linha Vermelha – uma campanha criada pela Climáximo e pela Academia Cidadã. A linha vermelha representa «a voz dos que repetidamente disseram não à exploração de petróleo, tanto em Portugal como no resto do mundo, e que, ao tricotar e crochetar, pretendem informar e mobilizar a população que caso contrário não seria sensibilizada para este crime».

    A receber os participantes, encontrava-se Sabine Lichtenfels, co-fundadora de Tamera, e LaDonna Brave Bull Allard, fundadora do primeiro acampamento de resistência indígena contra o oleoduto no Dakota e do movimento em Standing Rock, que surgiu em 2016, nos Estados Unidos.

    «Sei que, quando nos erguemos, o mundo se ergueu connosco, por isso vim até aqui para me juntar a vocês… Já não temos escolha, temos de tomar partido pela água e temos de o fazer agora. O meu desejo é que o coração e a mente de todos sejam inspirados a unir-se em prece por uma vida melhor», sublinhou LaDonna Brave Bull Allard.

    O encontro internacional “Defender o Sagrado: Imaginar uma Alternativa Global” está a decorrer em Tamera – Centro Internacional de Pesquisa para a Paz, de 7 a 16 de Agosto, «focado em reconciliar sabedoria indígena com pensamento do futuro, para encontrar uma visão comum para uma cultura global regenerativa».

    Tamera é um centro holístico de investigação para a paz e um centro de educação com 40 anos de experiência na criação de comunidades sustentáveis para desenvolver a confiança. É reconhecida mundialmente pela sua Paisagem de Retenção de Água e pelo seu trabalho para uma autonomia regional descentralizada, através da energia solar, retenção de água, regeneração de ecossistemas e autonomia alimentar.

    Desde há 15 anos, Tamera trabalha para capacitar agentes globais de transformação e activistas, apoiando inúmeras iniciativas de paz no mundo inteiro. Tamera transmite em direto partes do evento, gratuitamente, em www.tamera.org/defend-the-sacred.

    Para acompanhar e confirmar live, os dados sobre o estado do mar, pode usufruir da nossa rede de livecams e reports preparada para essa finalidade.

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    Fonte: SulInformação

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