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  • IPMA gera indignação na comunidade de pesca submarina
    06 dezembro 2016
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  • Comunidade piscatória sentiu tristeza, estranheza e estupefacção quando deparada com o assunto em questão...
  • No passado dia 28 de Outubro teve lugar a primeira fase de libertação de 100 jovens meros, num total de 150, criados em cativeiro na Estação Piloto de Piscicultura de Olhão (EPPO) por parte do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) em águas Algarvias ao largo de Quarteira.

    O Jornal regional Sul Informação acompanhou esta iniciativa e publicou no dia 29 de Outubro um artigo referente à mesma. A iniciativa em si, de um modo geral, foi bem acolhida entre todas as comunidades de pesca, incluindo a comunidade de Pesca Submarina. O que indignou a comunidade e seus representantes, que se tem vindo a observar nas redes sociais em forma de discórdia e respostas ao artigo, foram as citações integrantes no artigo proferidas pelo investigador do IPMA e coordenador desta acção, Doutor Pedro Lino.

    Segundo o Sul Informação, o Doutor Pedro Lino ressalva que esta acção para além da vertente ecológica, também é importante para o mergulho recreativo, referindo mesmo que esta espécie satisfaz os praticantes de mergulho quando as encontra.

    “Além da perspetiva ecológica, «a atração imediata é no mergulho. Esta é uma espécie emblemática, que faz qualquer mergulhador, quando a encontra, sentir-se satisfeito. Depois há uma vantagem: o mero, quando adota um buraco numa rocha, passa a viver nesse sítio. Quando um mergulho é organizado para esse local, é garantido que o mergulhador vai sentir-se satisfeito».”

    Em outra das citações, Pedro Lino menciona que uma das problemáticas para a redução do número de espécimes, que se tem verificado, está relacionado com o comportamento destes que se aproxima dos mergulhadores e caçadores Submarinos, sendo esta a causa maioritária para o seu fim.

    “«A costa do Algarve é uma zona com pesca intensa e, depois, como é um predador de topo, existe em baixa densidade e não tem medo de outros predadores, nomeadamente de seres humanos. Quando um mergulhador ou um caçador submarino se aproxima, ele vai ter com eles, e é assim que é, muitas vezes, o seu fim»”

    Finalmente numa última citação, Pedro Lino assume que a probabilidade destes meros libertados serem capturados por Pescadores Submarinos é elevada dado, segundo ele, o mero ser um troféu para a modalidade pelo seu tamanho mas não por ser de fácil captura.

    “A divulgação dos locais onde foram libertados os meros é, para Pedro Lino, «uma faca de dois gumes. Se não divulgamos, não recebemos a informação de volta e acabamos sem feedback. Se divulgamos, corremos o risco de as pessoas irem lá pescar deliberadamente», até porque, no caso da caça submarina, «é um troféu, devido ao seu tamanho muito grande, mas não pela dificuldade de o capturar».”

    Foram estas as palavras do investigador do IPMA que incendiaram a comunidade de Pesca Submarina, que o acusaram, através das redes sociais e no espaço dedicado a comentários na notícia do Sul Informação, de parcialidade e desinformação nas suas declarações. Para a comunidade, o desaparecimento do mero na costa Portuguesa, não pode ser, de forma alguma, atribuído à modalidade de pesca mais sustentável, de menor impacto, a única que é selectiva e também amiga do ambiente.

    A Associação Portuguesa de Pesca Submarina e Apneia (APPSA), em representação da comunidade e na pessoa do seu presidente, Armando Maçanita, publicou nos seus suportes de comunicação (Facebook e página oficial), no dia 1 de Dezembro, uma carta dirigida ao investigador do IPMA Doutor Pedro Lino, onde informa que perante as suas declarações no Sul Informação não podia deixar de as comentar e demonstrar o seu descontentamento pela tentativa, intencional ou não, de denegrir a Pesca Submarina. A mesma termina com um pedido directo ao investigador para que formule um pedido de desculpas pelas suas declarações ao Sul Informação, demonstrando-se disponível para futuras colaborações que possam envolver a comunidade Portuguesa de Pesca Submarina e Apneia.

    Entretanto, a APPSA publicou hoje, nos seus suportes de comunicação, uma carta aberta dirigida ao Doutor Pedro Lino redigida pelo Professor Doutor João Pedro Barreiros. Professor Agregado em Etologia, Doutor em Biologia/Ecologia Animal e estudioso do mero Epinephelus marginatus, membro do Grouper & Wrasse Specialist Group da International Union for the Conservation of Nature, membro do Groupe d’Études du Mérou, presidente da Comissão Científica da APPSA e seu delegado nos Açores, o Professor Doutor João Pedro Barreiros é um dos, se não o mais conceituado especialista nesta espécie em Portugal, e refuta nesta carta as declarações do Doutor Pedro Lino, no artigo do Sul Informação, com argumentos válidos resultantes de anos de estudo desta espécie, chegando mesmo a declarar que sentiu tristeza, estranheza e estupefacção quando leu o artigo em questão, mostrando-se disponível para quaisquer esclarecimentos adicionais sobre o assunto.

    Fiquem atentos a mais informações.

    Fonte: PortugalSub / Fotografias de Oleh Brevus, Ana Madeira, Samuel Ramos, Diogo Gordinho Lima e Ruben Caeiro.

    Para acompanhar e confirmar live, os dados sobre o estado do mar, pode usufruir da nossa rede de livecams e reports preparada para essa finalidade.

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