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  • O desenvolvimento de Peniche como capital do surf
    14 outubro 2016
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  • Quando lançou em 2006 a marca “Peniche Capital da Onda”, estavam a ser dados os primeiros passos para toda uma nova realidade da terra.
  • Tem o slogan de “Capital da Onda”, conceito que assenta na dupla vertente do surf e também da energia das ondas, mas é já verdadeiramente a capital do surf português e uma das mais importantes surf citys a nível europeu e mundial. 

    Desde que assumiu a Câmara Municipal de Peniche, em 2005, António José Correia ajudou esta cidade do Oeste português a transformar-se num verdadeiro exemplo de aproveitamento do mar e dos recursos naturais disponíveis, de forma a atingir um crescimento no desenvolvimento local.

    Agora, que está a chegar ao final o seu último mandato à frente da autarquia penichense, aquele que é considerado pela elite mundial do surf como o “the coolest mayor on Tour”, faz um balanço de todo o notável trajeto, avalia o atual momento e aborda o futuro da cidade que já é incontornavelmente o epicentro do surf nacional.

    “A promoção do território e da sua identidade” foi um desafio lançado no início e que acabou por ser “bem conseguido”. “Particularmente a questão da identidade cultural, com a renda de bilros e o mar através dos desportos de deslize; as questões sociais e a proximidade às comunidades mais desfavorecidas (investimentos na área da educação) e as questões ambientais (reconhecimento da Berlenga como Reserva da Biosfera da UNESCO); número crescente de bandeiras azuis (sete no momento), 11 bandeiras de água dourada, duas praias de poluição zero e o reconhecimento de território “Quality coast” , consequência de investimentos feitos no tratamentos das águas residuais”, descreve.

    Antes mesmo de chegar ao poder, Tó-Zé, como é carinhosamente tratado, refere que “já andava por aí”, tendo alguma experiência em iniciativas na “fileira socioeconómica da onda”. Por isso, facilmente descobriu o caminho a percorrer.

    Quando lançou em 2006 a marca “Peniche Capital da Onda”, estavam a ser dados os primeiros passos para toda uma nova realidade da terra. Embora muitos não acreditassem nesse plano. “Chegou a ser gozado, não perceberam o alcance”, afirma Tó-Zé. 

    Em 2009 chegava o Mundial de surf a Peniche. Tratava-se apenas de uma etapa rotativa da Rip Curl, mas o impacto foi tanto que Portugal acabou mesmo por ficar a tempo inteiro no calendário do World Tour. Foi o primeiro dia do resto da vida do surf nacional e também de uma explosão no desenvolvimento local, que ainda hoje recolhe esses benefícios.

    “A abordagem começou em 2008. Houve logo interesse do Turismo de Portugal e da PT. Foi muito importante esse apoio” ressalva o presidente. António José Correia considera o campeonato como “a jóia da coroa no que toca a grandes eventos de promoção”, não só da região Oeste como também a nível nacional, o que faz com que “cada vez mais marcas se associem à modalidade e aos seus eventos”. 

    Atualmente, estima-se que os mais de 100 mil visitantes que passam anualmente por Peniche durante a etapa do Mundial de surf representem um impacto económico local superior a 10 milhões de euros. Um valor bem significativo. Mas, hoje-em-dia, as atividades e os eventos de ondas em Peniche multiplicam-se como os peixes no oceano e desenganem-se aqueles que pensam que a Capital da Onda vive apenas dos Louros da vinda dos melhores surfistas do Mundo ao nosso país – embora isso represente uma grande fatia do bolo.

    Em 2016 o circuito mundial de surf passará pelo oitavo ano consecutivo pelas ondas de Supertubos e, apesar da licença da etapa ser gerida pela WSL e ter contornos delicados, o presidente penichense não acredita que a prova saia do nosso país. Até porque já foi manifestado interesse governamental. “O governo já reiterou o interesse de continuar com a atividade”, revela.

    “A senhora secretária do turismo, mesmo antes de eu lhe pedir uma audiência, ela própria me propôs uma reunião para abordarmos o tema. Está na mão da WSL a continuidade, mas a nível nacional está tudo garantido. Quando sair da Câmara Municipal de Peniche teremos pelo menos mais dois anos de grandes condições para continuar a realizar a prova. Existe um entendimento da importância do campeonato”, assegura.

    Mesmo que um dia o campeonato possa sair de Peniche – cenário em que António José Correia não acredita -, há já a sustentabilidade necessária para manter a terra como epicentro do surf europeu. Houve investimentos feitos na terra, há já bastante fidelização por parte dos turistas e existe a aposta em outras modalidades de mar, como o SUP,a canoagem, o bodyboard, o mergulho, etc. A terra está assim “bem consolidada” num roteiro turístico europeu.

    Tó-Zé refere que “não se pode agradar a toda a gente”, mas acredita que os munícipes estão satisfeitos e que o objetivo passa por aproveitarem as oportunidades geradas pela passagem do campeonato por Peniche. “O que é importante é que os atores locais vão ao encontro do evento. O bom empreendedor tem de ir ao encontro da ocasião”, assevera.

    “Gostaria de ter mais intervenções nos cordões dunares e outras intervenções nas praias”, salienta o edil, antes de frisar que não olha apenas ao surf: “Temos muita obra feita noutras áreas, para ajudar a dinamizar a economia local.” António José Correia refere ainda que a esta aposta no mar é algo que hoje em dia reúne “consenso” mesmo entre a oposição.

    António José Correia lembra ainda que em 2009 “existia um deficit em termos de hotelaria” no concelho. Muita gente era obrigada a ficar em Coimbra ou Lisboa, por falta de opções. “Existe um antes e um depois de 2009. A capacidade de alojamento local ganhou muito com isso e ajudou muitas famílias”, descreve.

    O autarca enumera ainda alguns projetos recentes de valor no município: a construção do Peniche Surferslodge, a inauguração do MH Hotel (10 milhões euros), um Eco Surf Resort em fase final de construção, a renovação já aprovada do Hotel Soleil, a nova loja bandeira na Europa da Rip Curl, um novo espaço de campismo em Ferrel já aprovado, a reabilitação urbana de edifícios de que o Sea Garden é um bom exemplo, um novo espaço de autocaravanas , entre muitos outros exemplos.

    Peniche investiu também na componente da investigação aplicada aos recursos marinhos, tendo a Câmara Municipal apoiado e acompanhado todo o processo que conduziu à instalação de um centro de investigação de excelência na área do Mar do Instituto Politécnico de Leiria – CETEMARES - Centro de I&D, Formação e Divulgação do Conhecimento Marítimo.

    Faz “um balanço positivo” e fala em “orgulho”, lembrando que todos estes investimentos aconteceram numa conjuntura desfavorável.

    O facto de António José Correia estar de saída pode levantar algumas questões e apreensão em relação ao futuro. Sobretudo se a aposta no mar é para continuar. Mas com estes resultados à vista é impensável a população local querer agora inverter o rumo de um crescimento muito interessante. E já há até mais projetos grandiosos em vista, como uma possível piscina de ondas. Algo que só o futuro poderá desvendar.

    Mas o contributo de António José Correia vai muito mais além do surf, como o próprio já havia frisado. A Capital da Onda tem a sua outra vertente relacionada com a energia do mar. O município de Peniche foi pioneiro no que diz respeito a esta tecnologia, nomeadamente através do Wave Roller, que está a originar mais investimento externo.

    Em 2006, com a chegada do projeto energia das ondas “Waveroller” por parte dos finlandeses da AW Energy, permitiu a Peniche reforçar a imagem “de sustentabilidade ambiental” e de “capital da onda”, num binómio que passa pelo surf e “não tem igual em termos nacionais”. Começou sendo um projeto demonstrativo financiado no anterior quadro comunitário FP7 - SURGE, envolvendo um conjunto alargado de parceiros nacionais e internacionais e um financiamento de 5 milhões de euros, sendo atualmente um projeto em fase pré-comercial (5.6 mW) envolvendo um investimento global de 25 milhões de euros.

    A verdade é que a cidade já é indissociável do mar, mas também da terra. A prova disso são várias iniciativas como o “Peniche, Sempre o Mar”, “Semana Tanto Mar” ou a forte agricultura e horticultura locais. “Cada município faz o seu caminho. Não tenho dúvidas que Peniche foi indutor de outros Municípios. Cascais, Mafra, Ericeira, Sines, Figueira da Foz e Almada, por exemplo, passaram a dar mais importância às questões do mar”, salienta.  

    As questões ambientais e energéticas também sempre estiveram na ordem do dia para a equipa da Câmara Municipal de Peniche. Agora, perante a possível ameaça da exploração petrolífera na costa portuguesa, o presidente garante não estar preocupado. Afirma que o município ainda não tem posição oficial sobre o tema, mas lembra que irá optar “sempre pela defesa local”.

    Tó-Zé lembra o papel que teve na luta contra a Central Nuclear de Ferrel em 1976 e que o assunto da exploração petrolífera não é recente. “Quando se falava num porto de águas profundas em Peniche, a opção foi rejeitada estrategicamente na Magna Carta-Peniche 2025, pois iria estragar a onda de Supertubos. A grande opção estratégica, no cenário de desenvolvimento, foi não comprometer a onda de Supertubos”, vinca.

    Com ou sem António José Correia no poder, com ou sem mundial de surf, a verdade é que Peniche é neste momento um município com um presente bem maior que o passado e com um futuro risonho pela frente. As bases foram bem montadas ao longo dos últimos mandatos e o crescimento deverá continuar a ser palavra de ordem por aquelas bandas nos próximos anos, andando sempre de mão dada com o mar e o turismo.

    A “ambição, trabalho e dedicação” são frisados pelo edil como três características da sua equipa desde que está no poder. Por isso não se surpreende com o crescimento que se foi assistindo no município. Mesmo perante a crise que começou em 2010 e que vai obrigando a “fazer o que se pode”.

    Quando no próximo ano deixar de ser o “The coolest mayor on Tour” – a título honorário nunca o deixará de ser – e deixar de ter o poder do município nas mãos, a única certeza parece ser a de continuarmos a ver Tó-Zé a partilhar umas ondas com a restante comunidade, como sempre fez até aqui - ainda no passado fim-de-semana, na Lagoa de Óbidos, o fez com a sua SUP.

    “Quererei continuar ligado às questões do mar”, assegura. Sou membro do Fórum Oceano, onde sou um dos nove diretores. Quero também continuar com o contributo às questões ligadas à náutica”, explicou António José Correia.

    Mas a prova final de que mais do que um presidente de Câmara, estamos também na presença de um homem do mar, veio com uma última revelação: “Por norma vejo com alguma frequência as câmaras do Beachcam e até faço print screens para divulgar as praias. O nível de cobertura é bom e valoriza os investimentos feitos”.

    Da nossa parte só temos de agradecer a Tó-Zé Correia. Tanto a escolha, como o contributo direto para a evolução do surf nacional, assim como pelo crescimento do município penichense e a “luta” pela valorização do oceano.

     

    Para acompanhar e confirmar live, os dados sobre o estado do mar, pode usufruir da nossa rede de livecams e reports preparada para essa finalidade.

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