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  • Vida, drama e fé por Bianca Buitendag
    05 agosto 2016
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  • Goofy sul-africana abre-se num perfil pessoal feito pela WSL, onde fala da riqueza de África, da perda do pai e do outro lado da vida de uma surfista profissional.
  • Bianca Buitendag, atual número 10 do Mundo, é uma das surfistas mais inspiradoras da atualidade no panorama do surf feminino e do Women’s World Tour. Para esta gigante sul-africana há muito mais no surf do que apenas os resultados, embora ela seja uma das pessoas que melhor consegue conjuga-los com o seu lado soul.

    Apesar de toda a graciosidade e beleza que a rodeia, a vida de Bianca não tem sido fácil. Primeiro porque vem de um país como a África do Sul, que atravessa uma ligeira crise de novos talentos, e depois devido ao drama que a assolou recentemente, com a perda do pai. Mas nem isso a fez baixar os braços e, agora, conta a sua história ao site da WSL.

    Apesar da perda, Bianca Buitendag teve forças para terminar o ano no 4.º posto do WWT, naquela que foi a melhor classificação da sua ainda jovem carreira, onde se inclui ainda o título de rookie de 2013. Neste perfil, a sul-africana aborda as mais variadas temas da sua vida, provando que estamos perante uma das surfistas mais interessantes da atualidade.

    Infância

    “Cresci a falar Africânder. Quando fui para a escola não sabia dizer uma palavra de inglês. Os meus pais decidiram-me colocar numa escola inglesa, o que foi interessante. No primeiro ano odiei aquilo. Contudo, sou muito agradecido por terem-no feito. Quando se passa a vida a viajar o Africânder não te vai ser muito útil. Mas eu tenho muito orgulho de onde vi e tento sempre retratar da melhor forma a minha cultura”.

    Penso que as pessoas têm uma perceção completamente errada de África. Acho isso engraçado. Sinto que a imprensa internacional retrata-a como um local perigoso e com mentalidade de pobreza. Mas eu sinto que a África é um dos locais mais ricos do Mundo. Pode não sê-lo em termos monetários, mas definitivamente que o é em termos culturais. Obviamente que nas maiores cidades, como Joanesburgo e Durban, há sítios aos quais deves evitar ir, mas estou estive lá durante 22 anos e não planeio de lá sair”.

    Capacidade atlética

    “Pratiquei todos os desportos que podiam existir. Adorava fazer desporto na escola. Jogava hóquei [de campo] muito bem, também praticava natação muito bem, mas era pequena e leve. Na realidade, fui afastada da equipa de netball porque era muito pequena quando tinha 12 anos. Comecei a crescer já muito tarde. O meu crescimento apareceu quase ao mesmo tempo que o sentimento de tédio pelo desporto. Senti-me confinada a uma piscina ou a uma pista de atletismo. Senti que o surf foi uma oportunidade para expressar-me livremente, por isso decidi escolhê-lo. Isto é algo que não é habitual ouvir na minha cultura, uma vez que ninguém sabe o que é o surf na cultura Africânder”.

    Primeira vitória

    “A minha primeira grande vitória aconteceu quando venci o Mundial de juniores, em Narrabeen (Austrália). Tinha 17 anos na altura. Foi num período em que estávamos a decidir se continuar a dedicar-me ao surf ou se prosseguia com os estudos. Os meus pais sempre realçaram a importância dos estudos e da educação desde muito cedo. Sempre tive isso como uma prioridade e o surf surgiu como um bónus.

    Sentia que o surf era muito estimulante, mas, ao mesmo tempo, sentia-me uma tonta intelectualmente se tivesse que enveredar pelo surf. Quando ia viajar duas semanas, tinha de levar os livros comigo. Quando voltava era acompanhada por tutores desde o amanhecer ao anoitecer. Se quando regressava não tirava notas altas os meus pais ficavam desapontados comigo e com os meus irmãos. Na minha família sempre houve esse foco para o bom desempenho”.

    Amizade com Johanne Defay

    “Tinha de decidir se me ia comprometer com o surf. Na altura a minha mãe disse-me que teve de ir para a escola porque havia uma cultura muito conservadora onde ela cresceu. Viajar não era uma opção naquele tempo e também existia o Apartheid. Por isso, os sul-africanos eram muito isolados do Mundo. Ela nunca teve a oportunidade de viajar e disse-me que esse era um dos seus maiores arrependimentos. Quando chegou a altura de eu decidir, ela disse-me: ‘Bianca, dou-te um ano’. Tirei, então, um ano. Fui abençoada com um apoio incrível por parte da Roxy Europa e fiz o QS. Pouco antes de ser campeã mundial júnior percebi mais ou menos o caminho a seguir. Isso deu-me coragem para arriscar em seguir uma carreira. Na minha cultura não é muito popular saíres de lá e andar a viajar. Tens de ir para a escola, para a universidade, casar…

    O primeiro ano de QS foi intenso, mas também fui um ano sem ter de ir à escola, por isso aproveitei o máximo para surfar. Viajei muito com a Johane e com o treinador da Roxy [Mathias Maallem]. Sentia que éramos nós contra o resto do Mundo. Vinha de uma vila calma na África do Sul, sem muita experiência, e a Johanne da Ilha reunião. Ambas definimos como a nossa grande ambição tornar tudo em realidade. Foi a primeira vez que fui exposta à determinação dela, à força, personalidade e capacidade de trabalho. Fui inspirada por tudo isso e também encorajada pelo treinador. Sinto que aquele team investiu muito na minha carreira. Nos primeiros sete meses apenas consegui passar uma ronda e depois ganhei o QS no final do ano”.

    Morte do pai

    “Penso que não somos nós que lidamos com os acontecimentos. Penso que são eles que lidam connosco. Acho que nem sempre acabas por superar uma tragédia. Sinto que ela muda muito a tua juventude, a forma como vês o Mundo, muito do que dependes. É algo que te muda, mas que nunca vais superar. É aí que Deus entra. Vou contar a verdade… em alguns dias não tenho vontade de sair da cama. Estou enfiada num lugar muito fundo e escuro. Ficas com raiva de Deus e com as coisas. Não queres surfar num campeonato. Começas a questionar tudo. Mas garanto-vos que sem a graça de Deus não estaria aqui sentada neste momento a falar com vocês”.

     

    Para acompanhar e confirmar live, os dados sobre o estado do mar, pode usufruir da nossa rede de livecams e reports preparada para essa finalidade.

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