Que montanha-russa de emoções foi o Philippines Pro para a jovem Caitlin Simmers, que há sensivelmente uma semana completou 21 anos de vida.
De Cloud 9, onde arrecadou a primeira prova da história do CT realizada nas Filipinas, a campeã mundial em 2024 sai com uma prenda de aniversário atrasada, depois da desfeita que teve na véspera dos anos ao perder a final do MEO Rip Curl Pro Portugal, em Peniche, para a australiana Molly Picklum, a campeã do mundo em título.
Porém, a festa que Simmers fez na madrugada desta terça-feira em Portugal até esteve para não acontecer. Na última segunda-feira, a surfista californiana sofreu um corte no tornozelo direito no duelo dos 'quartos' com Yolanda Hopkins, pois foi atingida por uma quilha da prancha da atleta portuguesa. Tudo aconteceu no mesmo momento que cometeu uma interferência, que ainda assim não impediu a sua progressão na 11.ª e penúltima etapa do CT versão 2026.
Magoada, Caity teve de sair da água no heat com Yo-Yo e foi suturada com sete pontos, qual Italo Ferreira em El Salvador. A presença no dia das finais esteve em dúvida. Todavia, tal como Italo já tinha feito em Punta Roca, Simmers foi à luta apesar da situação. E bem se pode dizer que não houve glória sem dor.
Neste notável exercício de superação, a nativa de Oceanside saiu com o prémio maior, vencendo pela primeira vez uma etapa na presente época. O oitavo triunfo da carreira na elite mundial, o primeiro em mais de ano e meio. Estava a jejuar desde a competição na piscina de ondas artificiais de Abu Dhabi, em fevereiro de 2025, que à semelhança do Philippines Pro também era um evento em estreia no World Tour.
Nesta jornada de superação, Caity Simmers começou por derrotar a havaiana Carissa Moore nas meias-finais. Foi mais um heat em que Simmers participou e ficou marcado por uma interferência, mas esta cometida pela adversária, que se tivesse ganho a disputa reconquistava a licra amarela. Assim ficou presa em Molly Picklum por somente 545 pontos.
Na final, a antiga campeã mundial bateu a australiana Isabella Nichols, de 29 anos, que efetuou um grande regresso à competição após ter falhado as duas últimas etapas devido a uma entorse grave no tornozelo esquerdo. Mais uma vez, Nichols mostrou o seu talento em ondas que dão tubos.
Ao invés do que aconteceu em Cloudbreak, onde não surfou a final por estar lesionada, agora 'Bella' esteve em ação no heat decisivo, mas dele não extraiu o resultado desejado. Os 10,77 pts somados reveleram-se insuficientes face aos 12,00 pts averbados pela oponente norte-americana, na sequência de dois tubos.
Consagrada em Cloud 9, Caitlin Simmers confidenciou que ainda vai demorar uns dias a processar tudo aquilo que aconteceu. As palavras faltavam-lhe, no entanto, agradeceu às várias mães: a sua mãe e à 'Mãe Oceano', que lhe providenciou boas ondas nesta campanha bem-sucedida por águas filipinas.
Com 10 mil pontos amealhados, Simmers subiu três lugares no ranking mundial, sendo atualmente a terceira classificada, à falta de uma etapa (Pipe Masters) para o fim da temporada. A pouco mais de quatro mil pontos da líder Molly Picklum, a californiana está bem colocada para discutir o título mundial, mas Caity, bem ao seu jeito, diz que já cumpriu o seu objetivo.
"Neste momento, o meu objetivo não é sagrar-me campeã do mundo. Sinto que já cumpri o meu objetivo, que é conseguir estar num lugar, ser grata e agradecer pela beleza disso. A minha abordagem agora é diferente porque este ano sinto muito mais confiança", revelou.
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