Estão finalmente encontrados os campeões do EDP Ericeira Pro, quarto e penúltimo evento da Challenger Series versão 2026/2027.
Talvez, a edição mais desafiante da prova jagoz, uma vez que durante a última semana foram muitos os momentos em que o mar de Ribeira d'Ilhas não colaborou, o que levou mesmo a organização a alterar o formato do campeonato. Como tal, a competição desenrolou-se sempre com baterias compostas por quatro atletas, deixando sempre o lineup bastante preenchido.
Para esta segunda-feira, dia das finais, houve a entrada de um novo swell, que ativou as direitas de Ribeira d'Ilhas, depois de um fim de semana em que fizeram gazeta. Neste que é um dos principais palcos do surf europeu, reinaram os surfistas que pertencem à elite mundial. Simplesmente, não deram chances a quem também pretende passar a integrar essa restrita turma.
Como disse Xico Alves aos microfones da World Surf League (WSL) no final da transmissão da final masculina, os atletas do Championship Tour (CT) encontram sempre aquele 'plus' nas desempenhos, mostrando estar uma mudança acima dos demais.
Assim, o EDP Ericeira Pro consagrou o norte-americano Crosby Colapinto e a costarriquenha Brisa Hennessy. Dois atletas do CT que estão a viver uma temporada muito complicada e que encontraram a redenção nas ondas portuguesas, com triunfos que podem ser determinantes com a vista à manutenção de um lugar na elite mundial em 2027. Há poucas semanas, ambos falharam o cut, pelo que dentro de poucos dias não poderão participar no MEO Rip Curl Portugal.
Se Brisa Hennessy somou a segunda vitória da carreira em eventos da Challenger Series - a primeira desde 2021 - já Crosby Colapinto estreou-se como campeão de etapas deste muito competitivo circuito de qualificação para o World Tour. E na hora da consagração, até teve direito a sair da água carregado em ombros pelo seu mano Griffin, que também ele já se deu muito bem nas ondas portuguesas, com um 'bis' no CT de Peniche.
Crosby, de 25 anos, não é um surfista que exiba vários sucessos ao longo da carreira - não ganhava provas da WSL desde 2019 - mas em boa hora reencontrou-se com o caminho dos triunfos. "Há sensivelmente um mês saí do World Tour. Senti-me devastado. Todo o ano foi tão difícil. Sentia que todo o trabalho realizado não estava a dar frutos, mas agora parece que tudo faz sentido", confidenciou Crosby Colapinto na entrevista pós-heat à WSL, já em pleno areal.
O natural de San Clemente foi muito eficaz em cada apresentação e na final mostrou-se um nível claramente acima de toda a concorrência para gáudio da já conhecida turminha californiana, que vibrou em terra, com Griffin Colapinto e Cole Houshmand à cabeça. Endiabrado no ataque às direitas de Ribeira d'Ilhas, o mais novo dos Colapinto assentou o seu dominador desempenho com a única nota excelente (8,00 pts) da final, que ajudou a perfazer o vitorioso score combinado de 14,10 pts. Atrás, ficou o também top mundial Joel Vaughan (12,17 pts), o gaulês Justin Becret (10,20 pts), que perdeu uma final em Portugal pela segunda vez consecutiva, e o surpreendente goofy peruano Alonso Correa (9,70 pts).
Antes, a plateia que se deslocou a Ribeira d'Ilhas tinha testemunhado a consagração de Brisa Hennessy. Com uma folha imaculada - ganhou os quatro heats surfados (três dos quais hoje) - a competidora costarriquenha exibiu um nível que há muito já não víamos. A melhor versão do surf de Brisa surgiu num momento crítico da época.
No heat decisivo, Brisa impôs-se com a pontuação combinada de 13,17 pts, no qual uma majestosa onda de 7,17 pts foi decisiva para virar a agulha a seu favor. Esse onda foi surfada com toda a energia dada pelos pastéis de natas que ingeriu ao longo de semana, conforme brincou na curta conversa pós-bateria. "Este ano tive de enfrentar momentos verdadeiramente difíceis. Tive mergulhar profundamente no quão quero isto. É a questão recorrente. Quando batemos no fundo, temos de encontrar a fé em nós próprios Pense que encontrei-a neste evento."
O segundo lugar da final feminina ficou na posse da grande surpresa da competição, a teenager australiana Lucy Darragh, que recentemente sagrou-se campeã mundial ISA Sub-16. Com 10,30 pts, a jovem goofy não ficou longe do triunfo, sendo secundada pela compatriota Sierra Kerr (9,07 pts), que se qualificou para o World Tour, e pela top mundial gaulesa Vahine Fierro (8,83 pts).
A presente edição do circuito Challenger Series vai agora enfrentar uma longa pausa, regressando apenas no início do março de 2027, com o Newcastle Surfest, na Austrália. É a etapa que vai fechar a campanha, mas antes, já em novembro, disputa-se QS6000 internacional de Taiwan, que também é válido para o ranking e poderá ser muito importante na definição dos surfistas qualificados para o circuito mundial do próximo ano.
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