Terceira e antepenúltima etapa da Challenger Series versão 2026/2027, o São Sebastião Pro levou pela primeira vez este circuito de qualificação para o CT ao litoral norte de São Paulo, no Brasil.
A competir em casa, com todo o conhecimento do pico e o sempre caloroso apoio da 'torcida', perspetivava-se que a tropa brasileira ditasse lei no beach break de Maresias, a praia que tem como nativo o consagrado Gabriel Medina.
Porém, desde o início do campeonato há uma semana, as coisas estiveram muito longe de correr de feição para a armada do país irmão. Ronda após ronda assistimos a eliminações em barda dos surfistas de Vera Cruz às mãos dos atletas internacionais. Como tal, nos oitavos-de-final, restavam apenas dois atletas brasileiros em prova: a wildcard local Sophia Medina, irmã mais nova de Gabriel, e Ryan Kainalo. Dois rostos da nova geração.
Apesar de estar em clara minoria, a verdade é que no fim tudo deu certo para o lado brasileiro na prova masculina. Este sábado, Ryan Kainalo, de 20 anos, levou a 'torcida' que lotou a praia ao delírio ao sagrar-se campeão do São Sebastião Pro, o primeiro sucesso da carreira na Challenger Series e logo na estreia numa final deste muito competitivo circuito.
O jovem natural de Ubatuba - conterrâneo do antigo bicampeão mundial Filipe Toledo - alcançou uma vitória que representa um passo de gigante rumo à inédita qualificação para o Championship Tour. É o novo comandante do ranking masculino, depois de há pouco mais de um mês também ter ganho o QS6000 internacional de Pantín, na Galiza. De enfiada, o antigo campeão mundial ISA Sub-18 amealhou 16 mil pontos muito importantes, estando a viver uma excelente fase, que esperará prolongar dentro de poucos dias em Portugal, no EDP Ericeira Pro.
Para chegar à maior vitória da carreira até ao momento, Ryan Kainalo teve de bater, no dia das finais, o ex-top mundial peruano Lucca Mesinas e dois surfistas australianos, a quem não deu chances: o top mundial Oscar Berry e o mais desconhecido Alister Reginato.
Na grande final, Kainalo deu toda uma lição de versatilidade nas ondas de Maresias. Mostrou o poderio do seu jogo aéreo e o mesmo tempo o afiado surf de rail. O campeão do primeiro São Sebastião Pro construiu o score combinado vencedor (14,50 pts) debaixo da prioridade de Reginato. Este, que procurava a segunda vitória em etapas da Challenger Series, ficou 'paralisado' durante largos minutos no lineup, sem capacidade de resposta.
A Alister, que subiu 50 (!) lugares no ranking de uma assentada, não restou outra solução do que aplaudir Ryan logo após o toque de buzina, enquanto este preparou-se para a dar a 'volta de honra' num jet ski pilotado pelo conhecido Alemão de Maresias, que a cada inverno vemos nas equipas de resgate das grandes sessões na Praia do Norte. Em terra, os fãs estavam em êxtase. Um final feliz. Deu bom!
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