Por estes dias, celebra-se o Mundial ISA de Longboard versão 2026. Pelo quarto ano consecutivo, o certame tem lugar na América Central, mais concretamente em El Salvador, nas direitas do point break de El Sunzal.
Presentes estão 37 equipas nacionais, número avançado pela Associação Internacional de Surf (ISA). No entanto, entre as quais não está Portugal.
Depois de ter marcado presença nas três últimas edições - sempre com classificações no top 10 da classificação coletiva - desta feita as cores portuguesas não estão representadas. Isto numa fase em que o longboard luso atravessa uma extraordinária fase com vários resultados de relevo na cena internacional, onde se destacam títulos europeus, vitórias nos diferentes circuitos continentais e sucessivas presenças no circuito mundial da World Surf League (WSL).
Uma das atletas que representou Portugal nos últimos campeonatos mundiais - em 2023 e 2024 - foi Raquel Bento. Mediante a notada ausência portuguesa no presente evento, Raquel expressou publicamente o seu descontentamento com tal situação, considerando que é um momento "triste para o longboard português", bem como para si e "todos aqueles que lutam para conseguir fazer esta modalidade crescer".
A filho do conhecido 'Lufi' Bento - múltiplo campeão português e shaper - diz que "depois de tantos passos em frente, custa aceitar este retrocesso".
Em longa publicação na rede social Instagram, na qual sublinha que "não é um ataque", 'Raka' revela que a "Federação Portuguesa de Surf justifica a decisão com limitações orçamentais e a prioridade ao desenvolvimento interno da modalidade".
Bento diz compreender que seja "necessário fazer escolhas", mas que "respeitar uma decisão não é sinónimo de ficar em silêncio". No entender da longboarder de 26 anos, neste momento "Portugal podia estar em El Salvador a lutar por um título mundial. Desta vez, nem sequer teremos a oportunidade de tentar".
A pluricampeã nacional afirma que é "difícil aceitar que Portugal consiga levar equipas numerosas a outras provas internacionais, como o recente Eurosurf Júnior, na Irlanda, mas não dê ao longboard a oportunidade de disputar um Mundial. E não se trata de retirar mérito a ninguém: todos os atletas portugueses merecem apoio. Nós também. Porque é que o longboard não merece essa oportunidade?"
Para Raquel, o que "falta são condições", revelando que os atletas não ficaram à espera, deixando também um "agradecimento especial" ao selecionador nacional João Ferreira por todo o esforço desenvolvido até ao "último momento" para que Portugal pudesse estar no Mundial ISA.
"Muitos de nós, incluindo o nosso Selecionador Nacional, procurámos patrocínios privados para tentar viabilizar esta participação e não fomos ouvidos. Dizer que ir ao Mundial «não é prioritário no contexto atual» é, para nós, como ouvir que não somos capazes. Mas como provar o contrário se nem nos dão essa oportunidade? Um Mundial exige prioridade. E os resultados exigem oportunidades."
No entender de Raquel Bento, os recentes grandes resultados do longboard português - para os quais também contribuiu - ocorrem porque há "talento, trabalho, sacrifício e história". Todavia, há "algo que nenhum atleta consegue fazer sozinho: criar condições para competir. É aí que precisamos da nossa Federação. Não é apenas para celebrar conquistas, mas para ajudar a torná-las possíveis".
A publicação de 'Raka' tem recebido várias reações na caixa de comentários. Dos tops mundiais Rogelio Jr Esquievel a Maria Fernanda Reyes, passando pelo antigo campeão nacional João Dantas que diz sentir-se "traído" pela Federação Portuguesa de Surf (FPS).
Junto da assessoria da FPS, o MEO Beachcam procurou uma reação a esta ausência do Mundial ISA de Longboard'2026, mas não obteve qualquer resposta, até ao momento.
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