É um testemunho marcante aquele que Noah Klapp fez na sua conta oficial na rede social Instagram.
Na última segunda-feira, curiosamente no dia em que comemorou 23 primaveras, a surfista germânica revelou que sofreu abusos sexuais, físicos e psicológicos do mexicano Alan Cleland. A situação reporta à altura em que ambos mantiveram um relacionamento amoroso. Noah era então menor de idade, tinha 17 anos, enquanto Cleland contabilizava mais um ano de vida.
O relato ganha ainda maiores proporções, numa fase em que a World Surf League (WSL) confirmou ter procedido à suspensão de um surfista do Championship Tour (CT), que terá sido Alan Cleland, na sequência de um alegado comportamento de natureza extremamente gravosa. Este terá ocorrido durante uma festa privada no Taiti em agosto último, a seguir às finais do Tahiti Pro.
"Uma vez disse ao Alan que se descobrisse a existência de outra vítima, partilharia toda a verdade sobre o nosso relacionamento. Hoje completei 23 anos e acordei com notícias de alegados abusos sexuais cometidos pelo Alan e por outros homens sobre uma menor. Por isso é que estou a escrever esta publicação. É o meu dever enquanto mulher tornar pública esta história. Ele já teve uma segunda oportunidade, que não merecia, e provou que continua a ser uma pessoa podre por dentro", escreve Klapp.
"Alan Cleland abusou de mim durante a maior parte do nosso relacionamento. De forma frequente, imobilizava-me na cama, agarrava nos meus pulsos com toda a força, agredia-me sexualmente várias vezes, chamava-me de prostituta e que só pretendia chamar a atenção. Bloqueava a porta do nosso quarto e não me deixava sair enquanto não terminasse [o ato]."
Noah Klapp confessa que por várias vezes tentou fugir de Alan Cleland. "Foi um período doloroso da minha vida, que me deixou completamente consumida e destruída. Sou uma pessoa empática e pensei que ele iria fazer um esforço para mudar após o nosso relacionamento".
Acabada de fazer 23 anos, Noah mostra-se arrependida por não ter contado mais cedo esta história, explicando que não o fez com medo de que ninguém acreditasse em si. Ao mesmo tempo, Klapp observou toda a admiração que a comunidade surfista adquiriu pelo seu antigo companheiro.
"Vi a indústria do surf colocar este homem num pedestal após a nossa relação. Que pessoa porreira! Surfista do CT! [Atleta] Olímpico! Sempre a alma da festa! Talvez, mas nos bastidores é um violador e um abusador".
No seu longo texto, a terceira classificada do EDP Ericeira Pro de 2024 refere que o seu caso não é isolado, apontando o dedo ao 'estilo de vida' dos surfistas.
"Sei que existem muitas outras histórias como a minha neste pequeno circo que é a indústria do surf e a WSL. É tempo de tomar medidas reais e parar de idolatrar abusadores."
"Enquanto surfista de competição nos últimos 10 anos, testemunhei o comportamento daqueles que são chamados de ídolos. Os que bebem e vão a festas antes dos campeonatos, muitas vezes são mais elogiados face aos que levam a modalidade a sério, assim como os que dormem com mulheres ao redor do globo e têm namorada e filhos em casa. Os grupos tóxicos convencem-se uns aos outros de que é correta a maneira como agem e até se incentivam a comportar desta forma."
Desde que publicou este testemunho marcante, Noah Klapp tem recebido várias mensagens de apoio na caixa de comentários por parte de várias figuras do surf mundial. De Kelly Slater a Gabriel Medina, passando por Filipe Toledo, Tyler Wright, Luana Silva e Miguel Pupo.
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