Salvo algumas exceções, a temporada de estreia dos surfistas no CT não costuma ser nada fácil. Bem pelo contrário.
É todo um caminho marcado por altos e baixos, muita aprendizagem, conhecimento de novas ondas e a adaptação a uma nova realidade competitiva, que é extremamente implacável. Ainda mais agora que cada derrota num heat dita automaticamente a eliminação do evento em causa.
A partir deste ano, deixou de existir ronda de repescagem, que conferia sempre uma segunda oportunidade, fossem novatos ou mais experientes nestas lides. Veja-se o que aconteceu ao rookie australiano Oscar Berry, que perdeu de primeira por oito (!) vezes consecutivas.
Esta é uma clara demonstração do quão duro pode ser a época de estreia na divisão máxima do surf mundial. Mas há mais.
Outro exemplo é o reduzido número de rookies a superar o cut que houve após o Trestles Pro, nona etapa do CT’2026. Nove é precisamente o número de estreantes na presente campanha, dos quais apenas três atletas conseguiram ficar dentro do corte e consequentemente garantir a presença nas duas próximas etapas do calendário.
Os nomes que ultrapassaram o cut foram o francês e campeão olímpico Kauli Vaast, a espanhola Nadia Erostarbe e a portuguesa Yolanda Hopkins. Curiosamente, nenhum figura no top 10 dos rankings. Kauli e Nadia estão na 11.ª posição, enquanto Yo-Yo é a 14.ª colocada, tendo ficado no último lugar dentro do cut a nível feminino.
De referir que Erostarbe é uma ‘estreante diferente’, pois na época transata participou em cinco etapas, tendo beneficiado do estatuto de primeira suplente. Um contexto que permitiu adquirir uma valiosa experiência, pese embora tenha falhado o cut de então, que ditou o adeus ao World Tour.
Quanto aos restantes seis rookies, a lusa Kika Veselko, o brasileiro Mateus Herdy, a israelita Anat Lelior, a gaulesa Tya Zebrowski, o sul-africano Luke Thompson e o já mencionado Oscar Berry só regressam ao CT em dezembro, momento em que se celebra a última etapa da época, o histórico Pipe Masters. Falharam o cut e ficam com a tarefa mais difícil para a requalificação, mas nada está decidido.
Dentro deste lote, nota para Anat Lelior e Tya Zebrowski. Durante a época, atingiram finais de etapas. Tya no Rio Pro e Anat Lelior no Tahiti Pro, brilhando nas esquerdas tubulares de Teahupoo.
Porém, tal não foi suficiente para estar no top 14 depois da visita a Trestles. A menor consistência tramou as duas atletas europeias. São as incontornáveis dores de crescimento.
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