O surf é incrível! É o que nos apraz dizer após assistirmos à eletrizante final masculina do Fiji Pro, oitava etapa do circuito mundial de surf de 2026.
Numa batalha sem tréguas entre goofies, o brasileiro Gabriel Medina e o norte-americano Cole Houshmand protagonizaram um dos heats do ano nas pesadas esquerdas de Cloudbreak, muitas das quais tubulares.
Ambos procuravam a primeira vitória em etapas no CT'2026. Algo muito importante por diferentes motivos. Medina para se relançar na corrida ao título mundial, depois de ter perdido fulgor (vinha de duas derrotas de primeira), enquanto para Houshmand o triunfo era valioso na luta pela requalificação para o CT'2027. A temporada estava a ser tremendamente difícil, desoladora mesmo para quem foi top 10 mundial na campanha transata e venceu no... 'Maracanã do Surf'. Em sete etapas, o californiano só tinha ganho dois heats, todos no mesmo evento (New Zealand Pro). Nas restantes provas, Cole perdeu sempre de primeira.
O favoritismo estava do lado do ex-campeão mundial Gabriel Medina. Pelo histórico (duas vezes campeão do Fiji Pro) e pelas extraordinárias performances plasmadas no dia das finais. Um dos 'highlights' foi uma onda em que entubou três vezes!
O natural de Maresias surgiu em 'modo arrasador' nos tubos de Cloudbreak ao disparar notas a rondar a perfeição e score combinados expressivos (um dos quais 19,04 pts), que permitiram servir combinações a dois surfistas que sabem andar à sombra: o campeão olímpico Kauli Vaast e o vice-campeão mundial Griffin Colapinto, que era o detentor do título do Fiji Pro.
Em total sintonia com Cloudbreak - a escolha de ondas estava irrepreensível- parecia estar escrito nas estrelas que teríamos o regresso às vitórias de Gabriel Medina no CT e de forma categórica, mas Cole Houshmand tinha outras ideias, depois de ter batido o italiano Leo Fioravanti nas meias-finais, deixando este apeado de reconquistar a licra amarela, que continua no corpo de Italo Ferreira.
O power surfer que também tem talento a entubar liderou a grande final desde a primeira troca de ondas, na qual também mostrou a sua aptidão tubular, com uma onda de 8,50 pts. Com o avançar da refrega, o antigo campeão da Challenger Series foi engordando o seu score combinado e deixou Gabriel Medina encostado às cordas, com este a parecer mais desligado face às anteriores apresentações. Puro engano!
Já dentro dos 10 minutos finais, o três vezes campeão mundial tocou finalmente a perfeição (10,00 pts) com um longo tubo. Os grandes campeões dão sempre troco. Porém, tal resposta cabal não foi suficiente para desalojar Cole Houshmand do primeiro posto, pois este tinha acabado de fazer uma onda de 8,37 pts - só com recurso a manobras - que permitiu perfazer o vitorioso score combinado de 16,87 pts. Gabriel quedou-se pelos expressivos, mas insuficientes 15,17 pts.
Nos minutos seguintes, pese embora o requisito não muito alto (6,87 pts) de Medina, o goofy de 25 anos controlou a prioridade e gritou vitória após o toque da buzina. Ouviu-se o hino norte-americano nas águas de Cloudbreak, nesta que é uma vitória que o atleta californiano jamais esquecerá. A maior da carreira, dado os contornos. Numa só tacada trepou 10 lugares no ranking mundial, sendo agora o 17.º colocado, já dentro da zona de requalificação (top 21) para o CT'2027.
Já Gabriel Medina foi novamente surpreendido numa final esta temporada. O mesmo tinha sucedido em Margaret River, então perante o australiano George Pittar.
Porém, com este grande trajeto no Fiji Pro, o surfista de 32 anos mostrou que ainda tem uma palavra a dizer nesta temporada, que está a ser marcada por altos e baixos, tal como a sua vida particular nos últimos tempos. Que este desempenho em Cloudbreak tenha sido o virar da página em definitivo.
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