O dia 9 de setembro de 2026 está eternizado para sempre na história do Capítulo Perfeito, bem como dos famosos tubos indonésios de Desert Point, na ilha de Lombok. Pela primeira vez, ali disputou-se uma prova de surf e logo de carácter internacional.
Tal momento inédito teve dedo português, mais concretamente de Rui Costa e de toda a sua equipa, pois tratou-se do Capítulo Perfeito, que à 12.ª edição também teve o primeiro campeonato realizado fora de Portugal, ainda que o ‘main event’ continue agendado para Carcavelos. Não se realizou no último inverno e agora tem o período de espera de 1 de novembro a 15 de dezembro.
Esta quarta-feira, durante seis horas sucessivas, oito tube riders encontraram longas esquerdas tubulares perfeitas, ondas que preenchem o imaginário de qualquer surfista, seja profissional do ofício ou não.
Num dia memorável, o triunfo foi arrecadado por um dos dois wildcards globais, no caso o havaiano Makana Pang, de 25 anos. Uma vitória que não deixa de ser surpreendente se atentarmos aos nomes bem mais conceituados que estavam em prova, como é o caso de Cam Richards (campeão em título do Capítulo Perfeito), de Balaram Stack e de Bruno Santos, antigo vencedor do Capítulo.
Desde o início do campeonato, o 'desconhecido' goofy havaiano deu um recital tubular, demonstrando toda a sua técnica de frontside. A cereja no topo do bolo aconteceu na final, onde Makana garantiu a vitória e fez a única nota perfeita (10,00 pts) de todo o campeonato indonésio, perfazendo o expressivo score combinado de 17,57 pts em 20 possíveis.
"Fazer parte do primeiro evento de surf de sempre em Desert Point foi uma honra. E conseguir um 10 perfeito na final foi um sonho tornado realidade. Estar ali com apenas mais três pessoas na água é provavelmente uma das coisas mais loucas que já vivi no surf. Se calhar uma das coisas mais loucas que alguém já viveu no surf. Esta onda é imbatível. Estou muito feliz e muito grato”, disse o surfista que na grande final bateu o brasileiro Bruno Santos (16,76 pts), o outro wildcard global, Ícaro Ronchi (15,43 pts), e o wildcard local Usman Trioko (10,60 pts).
Pódio final com a consagração de Makana Pang
Com este inolvidável sucesso, o havaiano Makana Pang garantiu, desde já, um wildcard para a edição de 2027 do Capítulo Perfeito, também a levar a cabo nos cilindros de Carcavelos.
Recompensa para todos
Depois de tamanho espetáculo tubular, a organização adotou uma médida inédita. O prize money de 10 mil euros – originalmente destinado ao vencedor – foi distribuído pelos oito tube riders participantes, onde não houve participação lusa.
Recordista de vitórias no Capítulo Perfeito, com três conquistas, Nic von Rupp estava inicialmente convidado, mas foi forçado a desistir por não conseguir a chegar a tempo a Desert Point.
“Todos os surfistas saíram daqui a sentir-se vencedores e, por isso, o prize money é dividido por todos. Conseguimos envolver a comunidade local e isso deixa-nos particularmente felizes: os surfistas estiveram felizes dentro de água e a comunidade local também se sentiu parte deste momento. Sabíamos que organizar um evento desta dimensão, num lugar tão remoto como Lombok seria sempre um desafio e um risco. Mas Desert Point esteve à altura. Um 10 numa final em Desert Point dá ainda mais força ao nosso conceito e a certeza de que o Capítulo Perfeito pode acontecer onde quer que existam ondas e tubos a sério”, disse Rui Costa, organizador do Capítulo Perfeito.
As longas esquerdas tubulares de Desert Point estiveram perfeitas
Nota ainda para o Special Local Heat que marcou o arranque do evento. A bateria juntou surfistas locais de Desert Point, com a vitória a sorrir a Diki Wahyudi.
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