Yolanda Hopkins soma e segue no Tahiti Pro, sétima etapa do circuito mundial de surf de 2026.
Depois de ter batido a lendária Stephanie Gilmore na véspera, esta quarta-feira, a rookie lusa avançou para os quartos-de-final, atingindo pela primeira vez esta fase na presente temporada.
Em dia de eclipse na Europa, Yo-Yo eclipsou por completo a brasileira Luana Silva num outro continente, lá nas águas da longínqua Polinésia Francesa, em pleno Oceano Pacífico.
Num duelo 100% falado na língua de Camões e marcado por muita chuva, a rookie lusa dominou por completo a número 4 do ranking mundial na chegada ao Taiti. Foi uma contenda de sentido único! Durante 35 minutos, Lulu foi uma espectadora privilegiada da sólida performance plasmada pela adversária num dos principais do surf mundial.
Novamente com muito 'go for it' nos ataques às esquerdas tubulares de Teahupoo - o mar não estava fácil - desta vez Yolanda foi bem-sucedida na hora de entubar de backside. Logo na madrugada do heat, Hopkins encontrou um tubo com saída ao qual juntou uma rasgada, conseguindo 6,17 pts. Maximizou o potencial da onda e meteu, desde logo, em sentido a ex-campeã mundial Júnior da WSL.
Depois, já no recurso a manobras, fez uma onda de 4,00 pts para o backup, que ajudou a perfazer o score combinado de 10,17 pts, um dos melhores registos dos oitavos femininos. Só mais três mulheres lograram pontuações na casa dos dois dígitos em toda a prova feminina, até agora.
Pelo meio, a diplomada olímpica esteve a uma unha negra de completar um belo tubo, o que iria aumentar ainda mais o seu pecúlio. É uma maravilha ver como Yolanda Hopkins se sente tão à vontade na exigente bancada de Teahupoo comparativamente, por exemplo, com outras surfistas com mais anos disto.
Sem qualquer tipo de reação - não entubou durante a bateria - Luana Silva não foi além de uns magros 3,97 pts, tendo uma passagem fugaz pelo Tahiti Pro.
Esta é a segunda vez na carreira que Yolanda Hopkins acede aos quartos-de-final de uma etapa do CT. O mesmo já tinha feito há três anos quando competiu como wildcard em Supertubos, no MEO Rip Curl Pro Portugal.
Na discussão por um lugar nas meias-finais, a competidora de 28 anos vai defrontar a norte-americana e antiga campeã mundial Caitlin Simmers, que deslumbrou nos 'oitavos' com o melhor tubo (9,00 pts) da competição feminina, até ao momento.
Simmers impressiona, mas com uma vibe contagiante Yo-Yo disse, na entrevista pós-heat à WSL, que está ali para ganhar tudo. "Tudo está alinhado e perfeito. Só é preciso ser um pouco mais consistente nas ondas tubulares", diz determinada.
A surfista algarvia está a somar pontos muito importantes para se relançar na luta por um lugar no top 14, que garante a requalificação para o CT do próximo ano após 10 etapas. Neste momento, Yolanda já subiu dois lugares no ranking provisório, sendo a 18.ª colocada.
Surpresas marcam 'oitavos'
Nomes importantes do CT'2026 caíram nos oitavos-de-final. O top 4 mundial (Gabriela Bryan, Carissa Moore, Sawyer Lindblad e Luana Silva) sucumbiu todo de primeira.
Destaque para a vitória da jovem Erin Brooks sobre Carissa Moore num duelo geracional, bem como para o atropelo que a rookie Anat Lelior deu na licra amarela Gabriela Bryan, deixando esta em combinação.
Tais resultados abrem a porta à aproximação da campeã mundial Molly Picklum, que deu nas vistas a caminho dos quartos-de-final.
Por fim, continua o conto de fadas da grom local Kelia Gallina, que voltou a derrubar uma ex-campeã do mundo. Agora, a surfista recém-acabada de completar 14 aninhos impôs-se perante a norte-americana Caroline Marks, que há dois anos ganhou o ouro olímpico em Teahupoo.
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