As várias tempestades do último inverno provocaram “impactos significativos na morfologia das praias”, mas 41% das monitorizadas recuperaram ou superaram valores médios de largura e volume sedimentar, enquanto 59% permanecem abaixo dos valores, revelou a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) em novo relatório técnico.
“De forma global, os resultados evidenciam que as tempestades do inverno marítimo de 2025/2026 provocaram impactos significativos na morfologia das praias”, diz a APA.
O organismo avaliou os impactos dos eventos extremos na morfologia das praias de Portugal continental, bem como “a evolução do respetivo processo de recuperação natural nos meses subsequentes, dando continuidade ao relatório técnico da Síntese das Ocorrências na Faixa Costeira de Portugal Continental (março de 2026)”.
Nas considerações finais, a APA refere que a comparação com as condições médias históricas “mostra que cerca de 41% das praias monitorizadas recuperaram ou superaram os valores médios de largura e volume sedimentar, enquanto 59% permanecem abaixo desses valores de referência, evidenciando a persistência de défices sedimentares numa parte significativa dos locais analisados“.
Nas praias onde foi possível avaliar diretamente a recuperação em relação às perdas provocadas pelas tempestades, “verificou-se que entre 35% e 41% recuperaram totalmente ou superaram as perdas registadas em termos da largura e volume, respetivamente”.
Por outro lado, acrescenta-se, “cerca de 45% apresentam uma recuperação parcial, demonstrando uma resposta morfológica positiva, mas ainda insuficiente para restabelecer integralmente as condições anteriores aos eventos”.
“Apenas uma reduzida fração das praias monitorizadas continua a apresentar sinais de erosão persistente ou ausência de recuperação efetiva. Adicionalmente, nas praias avaliadas, apenas por comparação entre a situação pré-tempestade e a situação atual, maioritariamente localizadas na costa sul do Algarve, a recuperação morfológica ainda se revela limitada“, destaca-se no documento.
Esta situação, no entanto, para os especialistas, “é expectável, dada a reduzida janela temporal entre o final das tempestades e a realização dos levantamentos, sendo previsível que, entretanto, tenha ocorrido uma recuperação considerável da largura e do volume sedimentar”.
A análise, explicou a entidade, baseou-se em dados dos levantamentos topográficos realizados no âmbito do Programa de Monitorização da Faixa Costeira de Portugal Continental (Cosmo), complementados por campanhas adicionais desenvolvidas pelas equipas técnicas da APA.
“Os resultados permitiram quantificar a evolução da largura dos areais e dos volumes sedimentares, bem como caracterizar o estado morfológico atual das praias monitorizadas, contribuindo para um melhor conhecimento da dinâmica costeira e para o reforço das estratégias de gestão e adaptação às alterações climáticas”, referiu.
Foram analisadas 27 praias ao longo da faixa costeira continental (19 na costa ocidental, oito na costa sul do Algarve), dos concelhos de Caminha, Esposende, Vila do Conde, Matosinhos (Administração da Região Hidrográfica do Norte), Ovar, Vagos, Figueira da Foz, Leiria, Marinha Grande (Centro), Almada, Sesimbra (Tejo e Oeste), Odemira (Alentejo), Lagoa, Albufeira e Olhão (Algarve).
Para a equipa do Departamento do Litoral e Proteção Costeira da APA, com a colaboração da Divisão dos Recursos Hídricos do Litoral, da ARH do Algarve, apesar dos impactos significativos na morfologia das praias, “uma parte substancial das praias monitorizadas já evidencia processos de recuperação natural, verificando-se em vários casos a recuperação total ou parcial da largura dos areais e dos volumes sedimentares”.
“Contudo, os dados mostram que uma parte relevante das praias ainda não recuperou plenamente as condições anteriores às tempestades, pelo que a evolução da sua resposta morfológica deverá continuar a ser monitorizada”, advogaram.
Através da rede de livecams, podes visualizar em direto e em tempo real toda a evolução do estado do mar e da praia.
Podes também confirmar as previsões relativas a todas as praias através da nossa página Praias Beachcam.
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