Foi há pouco mais de uma semana que a Associação Internacional de Surf (ISA) surpreendeu ao anunciar que o sistema de qualificação olímpica para Los Angeles’2028 sofreu novas e importantes alterações.
Contrariamente ao inicialmente divulgado, a versão final, que já foi aprovada pelo Comité Olímpico Internacional (COI), dá mais relevância ao Championship Tour (CT) da World Surf League (WSL) no caminho até à prova a realizar na alta performance de Trestles. Tal mudança surge após o primeiro modelo ter sido alvo de bastantes críticas, fundamentalmente por parte dos surfistas da elite mundial.
Desta forma, cresce o número de vagas a atribuir pelo circuito mundial de surf. Passam de cinco para oito por género, num total de 16 bilhetes olímpicos.
Assim, ficamos muito perto do número de passaportes (18) que foram entregues via CT para Tóquio’2020 e Paris’2026, as duas primeiras Olimpíadas em que o surf esteve presente. Todavia, comparativamente ao passado, permanece o limite de um atleta por nação em cada género.
Em declarações ao site do ‘Record’, o presidente da Federação Portuguesa de Surf (FPS), Gonçalo Saldanha, entende que as novas alterações são um “revés”, que “enfraquece a imagem do surf e da ISA a nível mundial”.
Nesta que foi uma decisão "unilateral", Saldanha diz que a ISA teve uma "gestão desastrosa" de todo este dossiê, principalmente do "ponto de vista político".
O responsável federativo, que sucedeu a João Aranha no cargo, entende que daqui em dia em diante “quem passou a marcar o ritmo destes processos foi a WSL, uma “liga privada que fez uma interferência na gestão deste processo”.
Fernando Aguerre, presidente da ISA, também sai visado: “Dá um sinal calor de que a WSL pode pressionar certos pontos e que a ISA vai recuar perante isso”, considera o líder da FPS.
“Em vez de se escudar nas federações todas, foi atrás das federações mais poderosas, como Japão, Estados Unidos, França, por exemplo, que têm maior poderio entre os surfistas. Todos os outros que também têm votos ficaram para trás”, explica.
Ao ‘Record’, Gonçalo Saldanha mostra-se igualmente crítico com o anúncio de que os surfistas qualificados pelo CT para as Olimpíadas de Los Angeles’2028 têm entrada direta na ronda 3, considerando que tal vai contra o “espírito olímpico e de fraternidade”.
Perante este novo cenário, o presidente da FPS abordou ainda as hipóteses portuguesas de ter surfistas na prova olímpica, repetindo o que aconteceu em Tóquio’2020 e Paris’2024, com Yolanda Hopkins e Teresa Bonvalot.
“Enquanto presidente da Federação tenho de olhar para a floresta e não para a árvore. Sabemos que já apurámos atletas através do World Tour da WSL, mas não sabemos se essas condições se vão voltar a repetir. O que queremos é competir nos campeonatos da ISA e não nos campeonatos privados”, conclui.
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