A comunidade do surf em Portugal está em choque com o desaparecimento de Arran Strong, que aconteceu na passada segunda-feira ao largo da Arrifana, em Aljezur.
Tudo aconteceu quando o britânico de 27 anos fazia stand up paddle (SUP) junto de José Maria Pyrrait, no âmbito da travessia da costa continental portuguesa que o veterano remador está a fazer em SUP. Arran acompanhava Pyrrait na ligação entre o Monte Clérigo e a Carrapateira, nas águas da Costa Vicentina.
Ninguém ficou indiferente a esta notícia devastadora, pelo que nas últimas 24 horas têm sido inúmeras as publicações nas redes sociais sobre Arran Strong, numa altura em que prosseguem as buscas no mar. De surfistas portugueses a nomes internacionais, passando por filmmakers, Arran é uma figura muito querida por todos, pelo que o seu desaparecimento está a deixar um grande vazio na tribo do surf português e europeu.
Um dos testemunhos mais emotivos teve Miguel Blanco como autor. Muito próximo de Arran Strong, o antigo bicampeão nacional viveu com este e o seu filho Henry durante um ano na Ericeira.
“Ao longo dos últimos 10 anos, partilhei momentos incríveis com o Arran. Surfámos juntos, treinámos juntos e apoiávamo-nos de muitas maneiras. Estava sempre pronto para um desafio e para puxar o seu corpo ao limite”, escreveu Blanco em publicação na rede social Instagram.
Por sua vez, o vice-campeão nacional Afonso Antunes disse estar em “choque” com o sucedido, afirmando que Arran Strong é um “hardcore”.
Já o jovem Martinho Barros menciona Arran Strong como alguém que “marcou” o seu percurso, ensinando a “estar na água, a lidar com a frustração, a ser mais destemido e a acreditar que era capaz de ultrapassar” os seus próprios limites. Relembra ainda a sua aptidão para enfrentar ondulações pesadas. “Foi uma verdadeira inspiração, especialmente nas ondas mais grandes e pesadas.”
Primeiro surfista português a qualificar-se para o CT, Tiago Pires diz que Arran Strong é a “personificação da palavra ‘stoked’”, enquanto Henrique Pyrrait refere-se ao britânico como um “irmão”, com quem viveu “mil e uma histórias”.
A nível internacional, a compatriota e big rider Laura Crane refere-se a Arran Strong como o seu “mágico melhor amigo”, que conhece há 19 anos e desde então tornaram-se “inesperáveis”, destacando todo o apoio que teve de Arran nos últimos meses durante a recuperação de uma intervenção cirúrgica aos ligamentos de um joelho.
O top mundial Marco Mignot confidenciou que Arran Strong é uma “pessoa bastante especial” na sua vida. “Nunca conheci ninguém que enfrentasse as adversidades como tu e que fizesse isso parecer normal. A energia que trazias para cada dia era muito especial.”
Na turma do bodyboard, o antigo campeão mundial Pierre Louis Costes, que há muito reside no nosso país, relembra Arran Strong como alguém bastante destemido. “Não tinha medo sempre que entrava um swell grande em Portugal. O que mais admirava é que surfava sempre para si. Muitas das vezes, surfava em slabs alucinantes e ninguém estava a filmar. Não sei se as pessoas têm a noção do quão bom era a surfar ondas pesadas. Como bodyboarder, sempre foi uma inspiração para mim. Felizmente, cheguei a dizer-lhe isso.”
Em termos de entidades, o Ericeira Surf Clube, ao qual Arran Strong está ligado, diz estar a acompanhar com "enorme preocupação" toda esta situação, encontrando-se em "contacto com quem acompanha as operações" de buscas.
Por fim, a Federação Britânica de Surf relembra as participações de Arran nos Mundiais ISA de 2024 e 2025, onde logrou as melhores classificações de um surfista britânico neste certame, até ao momento.
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