Numa fase em que já não conta com representação portuguesa, o El Salvador Pro teve, este segunda-feira, o quarto dia consecutivo de competição. Ainda não houve qualquer lay day desde a abertura da janela de espera, na última sexta-feira, nesta que é a quinta etapa do CT'2026, a primeira fora da Oceânia.
Porém, desta vez a jornada foi bem curtinha em Punta Roca, que ofereceu as maiores ondas do campeonato e arriscamos dizer de toda a época, até ao momento. Com a tempestade tropical Cristina no horizonte, o swell ganhou força, mas não foi o único. À medida que a manhã avançava, o vento onshore também começou a soprar com maior intensidade, comprometendo a formação de ondas com qualidade no point break salvadorenho, que pelo quinto ano seguido é visitado pela divisão máxima do surf mundial.
A organização tinha planeado realizar, pelo menos, os oitavos-de-final masculinos, mas só foi possível completar três dos oitos heats que compõem esta fase. Ainda assim, este não é o dia mais curto do ano, pois no New Zealand Pro Pro tivemos uma jornada só com um heat completo.
Depois de interrompida a ação, a organização ainda efetuou um par de chamadas. Todavia, as condições não melhoraram e deu-se por encerrado o dia. Agradeceu o licra amarela Italo Ferreira, que assim ganhou mais um tempinho de recuperação.
Dos três duelos levados a cabo, tivemos novo tiro no porta-aviões brasileiro, com a eliminação de uma figura de proa e novamente às mãos de um gaulês. Depois do campeão olímpico Kauli Vaast ter afastado o antigo bicampeão mundial Filipe Toledo, agora Marco Mignot surpreendeu ao derrotar o campeão do mundo Yago Dora, finalista vencido do evento em 2024.
Como recompensa de nunca ter baixado os braços, Mignot meteu-se nos quartos-de-final com uma reviravolta épica, que deixou o goofy brasileiro sem possibilidade de esboçar uma reação num heat em que até foi o único a atingir o patamar excelente, com uma onda de 8,00 pts. Foi dentro do último minuto que o 'Rookie do Ano' em 2025 surfou a onda que permitiu afastar o titulado oponente, com quem já tinha perdido duas vezes este ano, a última das quais na etapa anterior (New Zealand Pro).
O antigo campeão europeu da World Surf League (WSL) tinha como requisito 6,17 pts para agarrar o primeiro lugar e foi isso mesmo que fez, perfazendo o score combinado de 12,83 pts e assim impor-se por uns magríssimos... 0,01 pts. O resultado final só foi conhecido com os atletas em terra, o que gerou minutos de muito suspense. "Sou o rei do 'buzzer-beater'", disse o competidor que na época transata já tinha ganho do mesmo modo neste evento, então para mal dos pecados do indonésio e colega de marca (Quiksilver) Rio Waida.
Nos restantes embates, o australiano Callum Robson venceu o compatriota e amigo Liam O'Brien, que teve a sua prestação comprometida ao cometer uma interferência de prioridade. À semelhança do que sucede com Marco Mignot, Callum Robson atingiu pela primeira vez os 'quartos' nesta época.
O outro surfista que também já garantiu o lugar entre os oito melhores do El Salvador Pro é Kanoa Igarashi. O nipónico levou a melhor na contenda diante do havaiano Eli Hanneman. Este tinha surpreendido na ronda anterior ao enviar o número 2 mundial, Miguel Pupo, para casa.
Resultados (Heats 1 - 3):
HEAT 1: Callum Robson (AUS) 12.50 DEF. Liam O'Brien (AUS) 5.13
HEAT 2: Kanoa Igarashi (JPN) 9.67 DEF. Eli Hanneman (HAW) 9.17
HEAT 3: Marco Mignot (FRA) 12.84 DEF. Yago Dora (BRA) 12.83
Heas restantes oitavos-de-final masculinos:
HEAT 4: Samuel Pupo (BRA) vs. Leonardo Fioravanti (ITA)
HEAT 5: Italo Ferreira (BRA) vs. Crosby Colapinto (USA)
HEAT 6: Kauli Vaast (FRA) vs. Joao Chianca (BRA)
HEAT 7: Gabriel Medina (BRA) vs. Jack Robinson (AUS)
HEAT 8: Barron Mamiya (HAW) vs. Alan Cleland (MEX)
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