Quando ouvimos falar de Kauli Vaast, o nosso imaginário remete-nos de imediato para um surfista de ondas de consequência, habituado a apanhar tubos grandes e pesados, daqueles que se tornam virais nas redes sociais.
Todo este natural ‘go for it’ é o resultado deste francês/taitiano ter sido criado nas famosas esquerdas tubulares de Teahupoo, lá no longínquo Taiti.
A nível competitivo, Kauli começou a dar nas vistas nestes poderosos cilindros ao aparecer como wildcard na etapa anual do circuito mundial de surf. Em 2022, o jovem Vaast alcançou o vice-campeonato no Tahiti Pro, num evento em que derrotou, entre outros, um tal de… Kelly Slater.
Foi também em Teahupoo que este destemido goofy alcançou, há quase dois anos, a maior vitória da carreira ao sagrar-se campeão olímpico em Paris’2024. Um ouro arrecadado em casa!
Kauli Vaast a caminho do ouro olímpico
ISA
Apesar de ter a imagem de tube rider colada à pele, a verdade é que o surf de Kauli Vaast não se esgota apenas em andar à sombra. Caso contrário, jamais teria sido vice-campeão mundial ISA em El Salvador ou almejado a qualificação para o Championship Tour (CT) da World Surf League (WSL). Por acaso no caminho da qualificação, até houve uma etapa tubular e logo em Pipeline, mas aí Kauli não foi além do nono posto. O ‘trabalho de sapa’ teve de ser efetuado com recurso a outras manobras que não a manobra rainha do surf.
Em ondas de performance, o antigo campeão europeu Júnior da WSL também é um surfista com aptidões, conforme também tem demonstrado recentemente na elite mundial, onde está a fazer a temporada de rookie. Kauli Vaast mostra possuir as diferentes ferramentas que um verdadeiro surfista de CT necessita.
Em três das últimas quatro etapas, o goofy de 24 anos alcançou o quinto posto, tendo exibido o alto nível do seu backside nas direitas de alta performance de Snapper Rocks e Punta Roca, mas também nas esquerdas do famoso ‘Maracanã do Surf’. Palcos em que obteve vitórias de prestígio, desfeiteando nomes como os ex-campeões mundiais Filipe Toledo e Italo Ferreira, assim como o veterano Jordy Smith.
Kauli Vaast tem exibido a força do seu backside
WSL/Aaron Hughes
Para além de referendarem aos olhos do grande público a sua valia fora dos tubos, estes resultados também deixam muito bem encaminhada a requalificação para o CT’2026 e porque não uma hipotética conquista do sempre importante prémio ‘Rookie do Ano’. É que agora seguem-se duas etapas (Teahupoo e Cloudbreak) com tubos e ainda falta Pipeline no final do ano. O melhor está por chegar!?
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