"A minha vida mudou para melhor" no último dia 7 de fevereiro, estas foram as palavras ditas por Francisca Veselko na manhã desta terça-feira na chegada ao Aeroporto Humberto Delgado em Lisboa.
O motivo não é para menos. Kika regressou a Portugal com o estatuto de top mundial, fruto de ter conseguido uma inédita qualificação para o CT na sequência do Pipe Challenger, sexta e penúltima etapa do circuito Challenger Series versão 2025/2026. A boa-nova apareceu na madrugada do passado domingo em Portugal continental.
Em toda a história do surf português, Kika é a segunda mulher a entrar na elite mundial, depois da compatriota Yolanda Hopkins. A campeã nacional Teresa Bonvalot também ainda se pode juntar a este restritíssimo lote.
De volta a casa após uma longa, mas memorável viagem à meca do surf mundial, a atleta natural do berço do surf nacional (Carcavelos) fala no realizar de um sonho de criança.
"Este é o meu sonho desde os nove anos, altura em que competi pela primeira vez. Ainda nem parece verdade. Parece mesmo esse sonho de uma miúda com dois totós, cheia de raça, completamente apaixonada pelo mar, pelo surf e pela competição", confidenciou aos jornalistas que marcaram presença no aeroporto.
Até aqui, o caminho foi "duro", marcado naturalmente por "muitos altos e baixos", mas "valeu a pena" porque o "trabalho recompensa".
"Estou muito orgulhosa pela minha resiliência e dedicação. Ainda nem acredito que estou no CT, não parece mesmo real. É um sonho que já perseguia há muito tempo e que acreditava ser possível. Com este feito, espero inspirar a nova geração que é preciso chegar lá", disse a surfista de apenas 22 anos.
Depois de finalizar o Pipe Challenger com um belo sétimo lugar, a ex-campeã mundial Júnior da World Surf League (WSL) desconhecia, tal como nós, que a qualificação tinha sido assegurada de forma antecipada. Pensava que teria de fazer o remate final na Austrália, mais concretamente em Newcastle, onde em junho último venceu a etapa inaugural da presente Challenger Series. Um triunfo que na altura representou um "boost de confiança" para a majestosa campanha que protagonizou.
Francisca só ficou inteirada da proeza inédita quase um dia depois do término do campeonato havaiano, que marcou a sua primeira aparição competitiva na onda rainha do surf mundial. Em dezembro, lá retornará para o Pipe Masters, derradeira etapa do CT versão 2026.
"Estava em casa e houve alguém que enviou pelo Instagram o screenshot do ranking. Não fazia ideia que estava qualificada", confidenciou a duas vezes campeã nacional Open (2021 e 2023). Também presente no Havai, o treinador Rodrigo Sousa também foi apanhado de surpresa. Foi só depois de confirmar através de telefonema para a WSL que Veselko celebrou sem amarras na ilha de Oahu. "Foi uma festa em casa com a Anat Lelior e o Joaquim Chaves, que é o meu melhor amigo desde os oito anos."
Neste percurso ascendente no surf de competição, Rodrigo Sousa tem desempenhado um papel fulcral junto da atual vice-campeã europeia da WSL. Foi com o também treinador de Mafalda Lopes que Kika aprendeu a surfar aos oito anos, ainda nos tempos em que Rodrigo estava na Surftecnique.
"Tem sido um pai para mim. Conhece-me melhor do que ninguém. Tê-lo por perto é um grande conforto e uma grande ajuda no meu percurso. Tem sido uma jornada linda junto dele. Conquistar este sonho não seria possível sem o Rodrigo e toda esta equipa", disse a surfista que regressou a Portugal na companhia do irmão Jaime Veselko, atual campeão nacional Sub-18.
"Só depois da pandemia é que comecei a treinar o físico e a perceber que se queria chegar ao CT teria de fazer sacrifícios maiores e alterar as minhas rotinas. Mudei bastante com o novo preparador físico", contou
Surfar nas ondas de sonho
É o dia das mentiras, mas a verdade é que participação de Kika Veselko no CT versão 2026 tem início marcado para 1 de abril na histórica Bells Beach, Austrália.
Apesar de ainda estar em fase de "processar" a qualificação obtida, a surfista portuguesa não esconde que o objetivo para a temporada de estreia deverá passar por "tentar ficar" no divisão máxima do surf mundial. É um "passo de cada vez".
O facto de já participado em duas etapas como wildcard, uma das quais em Peniche'2024, pode ajudar a enfrentar toda esta realidade mundialista. "Deu para experimentar, saborear e agora não estar tão nervosa. Já sei o que é."
Kika confessa-se "muito entusiasmada" perante um "calendário que está incrível" e o regresso de nomes consagrados como Gabriel Medina, Stephanie Gilmore e Carissa Moore.
A partir de abril, Veselko vai ter a possibilidade de surfar nas ondas dos seus sonhos, conhecendo locais como Teahupoo ou Cloudbreak.
Em todas estas latitudes, a competidora de Carcavelos pretende surfar com o número 19 na licra e explica o porquê. "Fui campeã mundial Júnior com 19 anos e foi com 9 anos que competi pela primeira vez. A combinação de 19 foi perfeita para mim. Espero que seja possível".
No meio de tudo isto, o único lamento é a recente saída do calendário de J-Bay. Grande apaixonada por direitas, esta era "onda que mais queria" e na qual teve a oportunidade de competir no ano passado na etapa do... CT.
Ah e antes de iniciar a aventura na elite mundial, mas já na Austrália, Kika Veselko tem o desejo de ser novamente bem-sucedida num sítio em que já foi "muito feliz". A lusa não esconde que seria "incrível revalidar o título" de campeã do histórico Newcastle Surfest. Seria uma despedida perfeita da Challenger Series.
Através da rede de livecams, podes visualizar em direto e em tempo real toda a evolução do estado do mar e da praia.
Podes também confirmar as previsões relativas a todas as praias através da nossa página Praias Beachcam.
Segue o Beachcam.pt no Instagram