Nos Jogos Olímpicos de Los Angeles'2028, o surf fará a sua terceira aparição no maior evento desportivo do planeta. Neste momento, sabe-se que a competição terá lugar em Trestles , uma das melhores ondas de performance do globo.
Sobre o processo de qualificação para a prova olímpica, ainda nada é conhecido a nível oficial, seja por parte da Associação Internacional de Surf (ISA) ou do Comité Olímpico Internacional (COI), que tem sempre o veredicto final.
Todavia, na semana passada, surgiu uma notícia com grande repercussão em torno desta tão importante temática. A informação dá conta de uma eventual alteração ao sistema de distribuição das vagas olímpicas para Los Angeles'2028.
Segundo notícia avançada pela página brasileira 'AOS Mídia', está em cima da mesa uma proposta que visa reduzir o número de vagas atribuídas via rankings do CT e incrementar o número de passaportes olímpicos à disposição nos Mundiais ISA, a começar já na edição de 2026, cujo palco da prova ainda não foi revelado. Isto aliado à mudança do momento em que o ranking do circuito mundial é válido para este mesmo processo. As próximas semanas serão decisivas para clarificar tudo isto.
Na anterior Olimpíada, que desembocou em Paris'2024, o CT qualificou 10 homens e 8 mulheres para o certame, entre os quais a 'nossa' Teresa Bonvalot. Estava em vigor o limite de dois surfistas por país em cada género.
Teresa Bonvalot & Kika Veselko
ISA/Pablo Franco
De acordo com a informação veiculada pela 'AOS Mídia', a nova proposta consiste em reduzir para cinco atletas por género os qualificados via CT, com o limite de apenas um atleta por nação. As restantes vagas passariam a ser determinadas pelos ISA World Surfing Games, que se disputam anualmente.
Em conversa com o MEO Beachcam sobre este eventual cenário, o presidente da Federação Portuguesa de Surf (FPS), Gonçalo Saldanha, mostra-se a favor desta possível alteração, que reforça o papel da ISA e do seu Mundial. A FPS alinha pelo mesmo diapasão da congénere brasileira, que é presidida pelo antigo top mundial Flávio 'Teco' Padaratz.
"Vemos com muito bons olhos o novo sistema de qualificação. Do ponto vista financeiro, os atletas continuam a ter a World Surf League (WSL), a liga privada onde continuam a fazer a sua demanda, naquilo que é o surf profissional. Isto acaba por abrir um novo setor, que é o investimento que podemos vir a ter, naquilo que é o surf de seleções. Passamos a dar mais relevância às equipas, passamos a ter uma maior proximidade com os atletas para captá-los e motivá-los para os nossos estágios. Assim, deixamos de ter o conflito de interesses com os campeonatos da WSL, que acabavam por roubar bastante calendário", explica o responsável federativo.
No entender do presidente da FPS, o país tem a "capacidade de lucrar mais com este novo modelo", num contexto em que não esconde "assumir-se como uma potência".
"A Federação quer ajudar os atletas. Se temos mais vagas via ISA e maior possibilidade de financiamento do Projeto Olímpico por termos mais vagas disponíveis para as seleções nacionais, significa que a Federação pode também ir buscar mais patrocinadores e injetar mais dinheiro nas seleções nacionais, logo no treino dos atletas. Isto vai sempre beneficiá-los nas duas demandas: a captação da vaga na WSL e a captação na vaga via Seleção Nacional."
Gonçalo Saldanha
via Facebook FPS
Além da redistribuição das vagas olímpicas entre a WSL e a ISA, a proposta revelada pela página 'AOS Mídia' também dá conta de uma mudança ao nível do ranking do CT válido para a qualificação. Deixaria de contar a hierarquia do ano anterior às Olimpíadas e passaria a ser válida a tabela após as quatro primeiras etapas do CT referente ao ano olímpico.
Também aqui, Gonçalo Saldanha concorda com a ideia. "Achamos que acabará por dar mais relevância ao ano de qualificação olímpica à própria World Surf League (WSL). No fim de contas, estamos a falar de um ano que acaba por ser exigente para a captação das últimas cinco vagas por género da WSL. Se contarmos com o país anfitrião, podemos ter entre 16 a 20 vagas a serem disputadas no Mundial ISA que antecede os Jogos Olímpicos", sublinha.
Para o presidente da FPS, a ISA "celebra a igualdade, o espírito olímpico e dá condições iguais para que todos tenham a mesma oportunidade de competir por uma vaga. É uma motivação extra para atletas originários de países com menos tradição, pois podem competir ao lado dos seus ídolos. Compreendemos que na WSL estão os melhores surfistas do globo, mas a ISA tem os melhores surfistas do mundo por país. Esta é a grande diferença".
Recordamos que nas duas anteriores provas olímpicas de surf (Tóquio'2020 e Paris'2024), Portugal esteve representado por intermédio de Yolanda Hopkins e Teresa Bonvalot. O melhor desempenho foi obtido por Yo-Yo no Japão, com o histórico quinto lugar que valeu o primeiro e único diploma olímpico do surf luso, até ao momento.
Através da rede de livecams , podes visua lizar em direto e em tempo real toda a evolução do estado do mar e da praia.
Podes também confirmar as previsões relativas a todas as praias através da nossa página Praias Beachcam .
Segue o Beachcam.pt no Instagram