Na madrugada desta sexta-feira, o australiano Callum Robson conquistou o Pipe Challenger, sexta e penúltima etapa da Challenger Series versão 2025/2026.
O surfista de 25 anos foi o mais forte na estreia deste circuito de acesso ao CT em Pipeline, a onda rainha do surf mundial. É a maior vitória da carreira deste 'aussie' até ao momento, ainda que não seja a primeira na Challenger Series. Cal já tinha levado a melhor no evento de Snapper Rocks em 2023, curiosamente o ano em que fez uma nota máxima (10,00 pts) em Peniche, com um sensacional... tubo. Tubos esses que agora foram decisivos na memorável campanha plasmada no North Shore da ilha havaiana de Oahu.
Em Pipeline, a jornada foi novamente dedicada em exclusivo aos homens. A terceira consecutiva. As senhoras estão há mais de uma semana sem competirem, numa prova que conta com as portuguesas Yolanda Hopkins (já qualificada para o CT), Francisca Veselko e a campeã nacional Teresa Bonvalot. A longa pausa deverá chegar ao fim esta sexta-feira, que poderá ser de finais. A ver vamos. Chamada acontece às 17h15 (hora de Portugal continental)
Callum Robson
WSL/Tony Heff
Voltando aos homens, o dia inicialmente não era para desembocar na coroação do vencedor. Porém, Pipeline apresentou condições tubulares de excelência durante horas a fio, fosse para Backdoor (direita) ou Pipe (esquerda). As notas excelentes (algumas acariciaram a perfeição) saltavam por todos os lados - foram 19 (!) - pelo que a World Surf League (WSL) não hesitou em decretar que fosse o dia das finais durante os quartos-de-final. Era para aproveitar na plenitude as condições verificadas, não obstante obrigar os finalistas a surfar por quatro vezes.
Tudo estava a ser fantástico. Alguns surfistas estavam a apanhar as ondas de uma vida, num dia que estava a ser o melhor de sempre na história da Challenger Series, circuito habitualmente marcado por condições mais desafiantes. O espetáculo estava a ser de primeira água e até Kelly Slater marcou presença na onda em que é o mais laureado, juntando-se aos comentários em direto da WSL.
Porém, no momento em que GOAT estava ao microfone, tudo começou a mudar para... pior. A chegada da tarde trouxe o vento onshore, que comprometeu significativamente a formação de cilindros durante as meias-finais. Do fartote de tubos, passamos para uma oferta tubular muito escassa, praticamente nula. Era Pipeline a mostrar duas caras.
Apesar da evidente degradação das condições, os finalistas decidiram levar a cabo o heat decisivo após conversas com o big rider havaiano Billy Kemper, que aparenta ser o elo de ligação entre atletas e a organização. Já tinha sido decisivo para a realização de uma ronda só com surfistas locais . É que nos restantes dias do período de espera - termina segunda-feira - as condições não deverão estar muito melhores.
WSL/Tony Heff
Face ao que tinham pela frente, os finalistas tiveram de mudar o seu mindset. Era preciso mostrar um grande jogo de adaptabilidade, que tantas vezes é necessário na dura Challenger Series. Na final, Pipeline ainda deu um pequeníssimo ar da sua graça, mas a verdade é que praticamente não foi possível andar à sombra.
Muito ativo desde o início, Callum Robson foi quem esteve mais eficaz. Num momento decisivo, a australiano mostrou toda a versatilidade do seu surf: voou, aplicou o seu power surf e conseguiu entubar. Tudo junto deu em 14,37 pts e numa vitória que deixou o 'aussie' muito bem posicionado para atacar a requalificação para o CT em Newcastle, palco da etapa final em março. De uma assentada, Robson trepou 23 (!) lugares na hierarquia. É agora 11.º e está à porta da bolha de qualificação.
O vice-campeão foi outro ex-top mundial australian, que está igualmente bem colocado para a requalificação. Morgan Cibilic. O surfista de 26 anos foi um dos grandes destaques do campeonato havaiano - somou uns impressionantes 17,50 pts nos 'quartos' - mas na final não conseguiu desfeitear o compatriota. Ficou a 0,63 pts do topo do pódio. Os 'aussies' Morgs e Cal foram a expressão máxima de um campeonato de alto nível por parte do surf australiano, que colocou cinco atletas entre os oito semifinalistas.
Morgan Cibilic
WSL/Mike Ito
No terceiro lugar ficou o vice-campeão mundial Griffin Colapinto, com 12,17 pts. O mano de Crosby Colapinto contrariou o seu histórico menos favorável em Pipeline e foi o top mundial (seis estiveram presentes) que chegou mais longe no evento. Desde a primeira hora, o surfista californiano mostrar estar bem sincronizado com o mar. Ficaram as boas sensações na arena em que o CT de 2026 vai acabar.
Por último, o havaiano Eli Hanneman não foi além do quarto lugar. Na final, as condições pareciam estar propícias aos seus voos - foi assim que venceu o QS de Pipe - mas o surfista de 23 anos não se encontrou com o mar. Amealhou uns magríssimos 3,07 pts.
Provavelmente, Hanneman esteve já em descompressão, depois de ter alcançado o seu grande objetivo. Com a passagem às meias-finais, o antigo vencedor do US Open of Surfing garantiu antecipadamente a requalificação para o CT. É o primeiro homem a fazê-lo na presente Challenger Series.
Eli Hanneman
WSL/Mike Ito
Notas finais para os grandes resultados do francês Jorgann Couzinet e do havaiano Joey Johnston, dois nomes desconhecidos do grande público. Ambos, atingiram as meias-finais e curiosamente até surfaram no mesmo heat.
Atual campeão continental da WSL, Jorgann Couzinet foi o melhor surfista europeu no Pipe Challenger ao terminar num honroso quinto posto. Já Joey Jonhston fechou a prova havaiana no sétimo posto. Isto após ter iniciado a campanha na ronda destinada aos locais. Durante o seu percurso, conseguiu quatro notas excelentes, exibindo todo o conhecimento que possui de Pipeline.
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