Investigadores das universidade do Porto, Minho, Trás-os-Montes e Alto Douro querem implementar um Observatório Costeiro do Atlântico Norte de Portugal para se colocarem "na linha da frente" da monitorização costeira e exploração sustentável do oceano.
"Queremos colocar o Norte de Portugal na linha da frente da monitorização costeira, fornecendo dados essenciais para proteger os ecossistemas marinhos e apoiar decisões estratégicas que conciliem conservação ambiental e desenvolvimento económico", descreveu o coordenador do projeto, Vítor Vasconcelos, docente da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) e diretor do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR).
Um dos grandes objetivos do projeto 'Atlântida II' é ampliar a "monitorização temporal dos ecossistemas aquáticos do Norte de Portugal através da implementação de uma rede integrada de monitorização até às 12 milhas náuticas (limite exterior do mar territorial) e, muito provavelmente, para além dessa distância", afirma o investigador.
A plataforma visa "permitir a exploração sustentável do oceano, através de ferramentas de adaptação às alterações climáticas e da partilha de conhecimento para a gestão e conservação dos ecossistemas marinhos", descreve, em comunicado, a Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.
O projeto, financiado em quase três milhões de euros com apoio do Programa Regional NORTE 2030, decorre nos próximos três anos.
No que diz respeito às mudanças climáticas, uma das principais atividades do projeto vai ser "a utilização de modelos numéricos para simular diferentes cenários representativos dos seus efeitos nas ondas, correntes e no nível médio do mar".
Estes dados permitirão "avaliar e prever, nomeadamente, a evolução da orla costeira", acrescenta a instituição.
Este consórcio vai dar continuidade ao trabalho já iniciado durante o projeto 'Atlântida', que decorreu entre 2020 e 2023.
No âmbito da atual investigação, a equipa de cientistas vai ainda "realizar uma amostragem alargada em diferentes habitats - desde zonas estuarinas e subtidais até áreas pelágicas (águas oceânicas abertas)".
Através de várias campanhas oceanográficas, os investigadores pretendem "caracterizar de forma contínua e integrada estes ecossistemas, abrangendo os seus aspetos químicos, geológicos, físicos e biológicos, atendendo à elevada importância ecológica, económica e social dos seus habitats e recursos naturais", refere a FCUP.
"A nossa abordagem é abrangente e multidisciplinar, permitindo estudar toda a diversidade de organismos, desde microrganismos, como bactérias, até grandes vertebrados marinhos, como golfinhos, reconhecendo que todas estas comunidades estão interligadas e exercem influência mútua sobre o funcionamento e equilíbrio dos ecossistemas.", explica Catarina Magalhães, coordenadora científica do projeto.
Através da rede de livecams, podes visualizar em direto e em tempo real toda a evolução do estado do mar e da praia.
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